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Correspondências paulistas: as formas de tratamento em cartas de circulação pública (1765-1775)

Processo: 14/08394-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de junho de 2014 - 31 de dezembro de 2015
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Língua Portuguesa
Pesquisador responsável:Vanessa Martins do Monte
Beneficiário:
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:11/51787-5 - Projeto de História do Português Paulista (PHPP - Projeto Caipira), AP.TEM
Assunto(s):Filologia  História do Século XVIII  Manuscritos 

Resumo

O livro Correspondências paulistas: as formas de tratamento em cartas de circulação pública (1765-1775) é resultado de tese de doutorado homônima, defendida em abril de 2013 na USP. Fruto de intensa pesquisa sobre um conjunto inédito de cartas setecentistas manuscritas e originais, a obra traz a lume a edição semidiplomática fidedigna dos documentos, além da análise filológica dos mesmos, que servem de corpus à pesquisa linguística sobre o uso das formas de tratamento entre os missivistas.O objetivo da publicação é analisar, partindo de uma perspectiva filológica, tal conjunto de cartas manuscritas, lavradas durante a década de 1765 a 1775, na capitania de São Paulo. Transcrevem-se os textos para buscar-se definir algumas de suas coordenadas sincrônicas e diacrônicas, situacionais e linguísticas. Realiza-se um estudo minucioso de aspectos materiais e formais de um corpus predominantemente homogêneo quanto à espécie documental (carta), porém que mostrou apresentar variações. Ao final do trabalho filológico, publica-se a edição semidiplomática dos 137 fólios que compõem o corpus, acompanhada dos fac-símiles. Por seu caráter conservador, a edição interessa a linguistas, e, pelo assunto tratado nas cartas, é fonte rica para historiadores.A partir do exame atento das fontes publicadas, trabalha-se com a hipótese da existência de uma relação entre a categoria socioprofissional dos destinatários e as formas de tratamento a eles dirigidas. A contextualização sócio-histórica dos documentos setecentistas culmina com a pesquisa sobre a origem dos remetentes, que localizou e permitiu traçar um perfil social mínimo de metade deles, atestando que pelo menos 32 documentos foram escritos, ou ditados, por homens nascidos na Colônia, majoritariamente na capitania de São Paulo. A partir dessas informações, da descrição sócio-histórica do período e do estudo dos cargos ocupados pelos remetentes, apresenta-se uma proposta de categorização socioprofissional que dê conta do corpus.As formas de tratamento (FT's) em língua portuguesa têm sido objeto de vários estudos, sincrônicos e diacrônicos: parte busca explicar de que maneira se deu a inclusão do pronome você, advindo da forma nominal vossa mercê, no sistema de tratamentos brasileiro; parte concentra-se na análise das formas nominais e pronominais, buscando descrever sua utilização e comparar o uso em documentos públicos e privados e entre períodos distintos. Número significativo de investigações linguísticas sobre o tema constitui corpora a partir de cartas, espécie documental bastante produtiva para tal análise. A teoria do Poder e da Solidaridade, desenvolvida por Brown e Gilman, e a análise das relações epistolares a partir das classificações em simétrica e assimétrica são comumente utilizadas em trabalhos recentes. Nesta publicação, a análise das FT's comprova que a forma mais frequentemente empregada é vossa mercê, resultado que contraria a literatura especializada com relação a documentos oficiais. Além disso, chega-se à conclusão de que tal forma, diferentemente do que se verifica em outras pesquisas, não é utilizada preferencialmente nas relações assimétricas descendentes. O que condiciona seu emprego é a categoria socioprofissional do destinatário. Assim, os militares e os administradores locais (juízes, ouvidores etc.) eram tratados por vossa mercê, independente de o remetente ocupar cargo inferior ou superior. A análise sob o ponto de vista dessas categorias permite identificar também que algumas delas, como a dos eclesiásticos, marcavam linguisticamente as posições hierárquicas superiores por meio do uso de FT's de alto valor honorífico, como vossa senhoria e vossa reverendíssima, enquanto outras, como a dos militares, não as marcavam, sendo todos tratados por vossa mercê. (AU)