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Metabolismo celular, microbiota e sistema imune: novos paradigmas na fisiopatologia das doenças renais

Processo: 17/05264-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Temático
Vigência: 01 de abril de 2018 - 31 de março de 2023
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Clínica Médica
Pesquisador responsável:Niels Olsen Saraiva Câmara
Beneficiário:Niels Olsen Saraiva Câmara
Instituição-sede: Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Pesquisadores principais:Alvaro Pacheco e Silva Filho
Pesq. associados:Caroline Marcantonio Ferreira ; Christian Hoffmann ; Clarice Kazue Fujihara ; Daniela Carlos Sartori ; Denise Maria Avancini Costa Malheiros ; Denise Morais da Fonseca ; Flaviano dos Santos Martins ; João Santana da Silva ; José Carlos Farias Alves Filho ; Pedro Manoel Mendes de Moraes Vieira ; Roberto Zatz ; Thiago Mattar Cunha
Assunto(s):Nefrologia  Microbiota  Insuficiência renal crônica  Inflamação  Lesão renal aguda  Progressão da doença 

Resumo

Estima-se que entre 11 e 13% da população mundial apresenta doença renal crônica (DRC). Esta cifra é particularmente alarmante ao se constatar que pode representar uma subestimativa, sendo o diagnóstico feito comumente de forma tardia, uma vez que os pacientes não costumam apresentar queixas a não ser em estágios avançados, quando a terapia renal substitutiva já se torna imperativa como pilar da proposta terapêutica. Associada ao fato de ser uma condição indolente e assintomática em seus estágios iniciais, outra razão para o subdiagnóstico da perda da capacidade de filtração dos rins é a falta de uma sistematização visando seu rastreamento. De fato, como ocorre com outras doenças crônico-degenerativas com as quais ela compartilha fatores de risco, tais como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e, mais recentemente, a obesidade, a DRC entra no rol de doenças preveníveis. Assim, na atualidade, a investigação ativa de seus fatores causais, aliada à intervenção precoce, é a principal estratégia de que se dispõe para tentar reduzir sua prevalência. Apesar de se ter conhecimento de uma abordagem custo-efetiva para conter seu alastramento, opções terapêuticas para os mais de 200 milhões de pacientes que já convivem com a doença sã escassas, de modo que, anualmente, cerca de 850 mil indivíduos vão a óbito pela DRC, que se configura como a 12ª causa de mortalidade no mundo. Sabe-se que, a despeito de qual seja a causa subjacente à deterioração da função renal, a fisiopatologia da DRC envolve um estado persistente de inflamação local e sistêmica que resulta na perda do parênquima renal, que gradativamente vai sendo substituído por fibrose. Logo, a identificação de alvos celulares e moleculares que permitam a interrupção de uma cascata inflamatória que tende a se amplificar e se retroalimentar, levando à inexorável perda da função e à desestruturação anatômica dos rins, representa o cerne das pesquisas atuais que buscam sobrepujar o problema. Neste projeto, acreditamos que a interface - resposta inflamatória - metabolismo celular - microbiota - seja central na fisiopatologia das lesões renais, e que seu estudo implique na descoberta de ferramentas diagnósticas e/ou terapêuticas. 2. Hipótese de trabalho. A lesão renal aguda (LRA) e DRC são condições inflamatórias já estabelecidas, nas quais tanto elementos da imunidade inata quanto adquirida são essenciais na elaboração da resposta inflamatória. Hoje, sabe-se que a inflamação altera o status metabólico de uma célula imune, e que a ativação de uma via metabólica leva a um fenótipo funcional especifico das células. Dessa forma, acreditamos que as células renais também tenham o seu perfl metabólico alterado pela inflamação e que isso influencia em suas funções e induzam estados patológicos específicos como a disfunção podocitária e a transição epitélio-mesenquinal. A resposta inflamatória e suas consequências sobre o perfil metabólico seriam resultados da ação de receptores, sensores metabólicos, intimamente conectados aos receptores de imunidade inata, como os inflamassomas. Ainda, acreditamos que esta resposta possa modular e ser também afetada pela microbiota intestinal e assim manter uma alça de feedback positivo e perpetuar a inflamação na lesão renal. (AU)

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