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Publicado em: Valor Econômico (Especial - Pequenas e médias empresas) em 30 de Novembro de 2016

Biotecnologia conquista novos nichos de mercado

Por Jacilio Saraiva

Tismoo, Bug e R3 desenvolvem soluções para saúde e lavouras

Empresas de biotecnologia vão encerrar o ano com conquistas em novos nichos de mercado. Com menos de um ano de operação, a Tismoo, que pesquisa transtornos neurológicos de origem genética como o autismo, teve um estudo publicado na "Nature", a revista científica mais respeitada do mundo, e está abrindo uma filial nos Estados Unidos. A Bug, de controle biológico, desenvolveu um método que usa vespas para combater pragas nas lavouras e deve duplicar a produção em 2017. Já a R3, que produz um composto que elimina as larvas do mosquito Aedes aegypti, foi uma das vencedoras do concurso Acelera Startup, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na Tismoo, a ideia é recriar em laboratório as etapas do desenvolvimento neural a partir das células dos pacientes. "Investigamos como uma mutação causa um quadro clínico e buscamos formas para reverter esse processo", explica o diretor de estratégia Gian Franco Rocchiccioli. Para ele, a grande vantagem da iniciativa é abrir possibilidades para o teste de drogas, sem a necessidade de usar pessoas como cobaias. Somente com as células é possível analisar tipos de medicamentos para definir um tratamento mais adequado, diz.

A empresa surgiu por iniciativa de um grupo de cientistas e médicos brasileiros. Fazem parte da equipe um biólogo molecular, um neurologista pediátrico e um cientista da computação com especialização em genética. Além da medicina de precisão genômica, o objetivo do grupo é usar tecnologias baseadas em big data. O recurso vai fornecer subsídios para que os especialistas tomem as melhores decisões para os pacientes.

Até agora, o negócio recebeu cerca de R$ 3 milhões de investimentos dos fundadores e laçou clientes no Brasil, Paraguai e Portugal. Para ajudar a divulgar ainda mais seus serviços fora do país, pesquisa sobre o vírus da zika ganhou espaço na revista "Nature". Segundo a publicação, a startup brasileira ajudou a demonstrar a relação do vírus com a má formação do córtex em bebês infectados.

Para 2016, a previsão de faturamento é de R$ 1 milhão. No próximo ano, deve aplicar R$ 2 milhões em pessoal e pesquisa, além de uma filial americana. "Queremos viabilizar um estudo sobre as características da genética brasileira do autismo, com uma amostragem de mil genomas."

Na Bug, sediada em Piracicaba (SP), o interesse é ganhar mais clientes no setor de agricultura. A companhia desenvolveu um método para multiplicar um tipo de vespa, que mede menos de um milímetro e ataca pragas agrícolas. O sócio Alexandre de Sene Pinto afirma que a produção atual é capaz de cobrir cinco mil hectares ao dia. "A ideia é dobrar essa capacidade para a safra 2017-2018", diz o engenheiro agrônomo, especializado em entomologia (ramo da zoologia que estuda os insetos).

A partir de 2005, a Bug ganhou a atenção do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A ação apoia a execução de pesquisas científicas e tecnológicas. Hoje, a companhia atende mais de 110 usinas de cana-de-açúcar e cresce 30% ao ano. Em 2016, investiu R$ 3,5 milhões em infraestrutura e no aumento do portfólio, com a chegada de uma vespa que controla ovos de percevejos. No próximo ano, pretende trabalhar com insetos que acabam com pragas em plantações de soja e milho. "O nosso maior desafio é quebrar a cultura do uso de inseticidas pelo agricultor brasileiro."

Rodrigo Perez, diretor da BR3, afirma que estar em uma incubadora e realizar atividades de qualificação foram determinantes para colocar a companhia numa trajetória ascendente. A empresa, associada à incubadora paulista Cietec, produz um inseticida biológico, em forma de comprimido, para ser colocado na água.

Desenvolvido a partir de pesquisas de cientistas ligados à Fiocruz, mata as larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Custa R$ 2 por ponto tratado ao mês e é eficaz por 60 dias. A produção mensal é de 500 mil unidades. "Em dois anos, vamos multiplicar em dez vezes o volume produzido, com uma nova planta em Taubaté (SP)." A meta é fechar 2016 com R$ 5 milhões de faturamento.

Para o Valor, de São Paulo