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Publicado em: Instituto Geológico em 28 de Outubro de 2009

Plano de Manejo do Parque Estadual Campina do Encantado é aprovado

No dia 21 de outubro o CONSEMA (Conselho Estadual do Meio Ambiente) aprovou o Plano de Manejo do Parque Estadual Campina do Encantado (PECE), coordenado pela Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo.

Os pesquisadores científicos Alethéa Ernandes Martins Sallun, William Sallun Filho e Renato Tavares do IG integraram a equipe estudos do plano, nos temas de Diagnóstico do Meio Físico, em especial nos temas Geologia, Geomorfologia e Climatologia. O Parque Estadual Campina do Encantado está situada no vale do Baixo Rio Ribeira de Iguape, entre os rios Pariquera-Açu e Pariquera-Mirim, na Planície Cananéia-Iguape no sudeste do Estado de São Paulo (SP), cerca de 19 km de distância da linha de praia atual. A Campina do Encantado abriga uma turfeira com mais de 6 m de espessura que contêm gás metano estocado no subsolo, passível de ser canalizado para a superfície e entrar em combustão naturalmente. A turfeira ocupa uma área superior a 28 km2, sobre sedimentos da Formação Pariquera-Açu e depósitos paleolagunares da Formação Ilha Comprida, com idade máxima de 3560 a 3380 cal. anos A.P.

Além de sua importância ambiental, a Campina do Encantado apresenta importantes vestígios arqueológicos e interesse histórico-cultural. No entorno da turfeira ocorrem vários sambaquis formados por conchas de origem marinha, vinculados pelas suas posições geográficas e idades, à evolução geológica holocênica da paleolaguna, com idades de 5870 a 4974 cal. anos A.P. Os sambaquis e a turfeira, localizados a uma distância de 25 a 19 km da linha de praia atual e com elevação de 8 a 7 m acima do nível relativo do mar atual, sugerem padrões de mudanças ambientais de escalas milenares correlacionáveis com os estágios marinhos isotópicos e variações relativas do nível do mar, reconhecidos mundialmente.

Quando o nível marinho em ascensão atingiu o presente nível, entre 7000 e 6500 anos A.P. (no Brasil denominada de Transgressão Santos) formou-se um sistema lagunar muito extenso, com máxima extensão em 5.100 anos A.P., com desenvolvimento de sambaquis que hoje estão há mais de 20 km da linha de praia. Mais tarde, o nível relativo do mar desceu mais ou menos regularmente, com duas importantes flutuações negativas, entre 4100 e 3600 anos A.P. e 3000 e 2500 anos A.P., que favoreceu a deposição da turfeira da Campina do Encantado, francamente continental.

Os trabalhos de campo e análises laboratoriais foram realizados no âmbito de projeto de pesquisa multidisciplinar que envolve a Estação Ecológica Juréia-Itatis, com pesquisadores do Instituto Geológico (IG/SMA-SP), Universidade Guarulhos (UnG) e Instituto de Geociências (IGc-USP). O projeto tem apoio financeiro do CNPq (Processo 309281/2006-7) e FAPESP (Processo FAPESP 06/04467-7), com coordenação do Prof. Emérito Kenitiro Suguio.

Fonte: http://www.igeologico.sp.gov.br/ler_noticia.asp?id=315