site da FAPESP
FAPESP na Mídia

Publicado em: Brasil Econômico (Inovação & Empreendedorismo ) em 1 de Fevereiro de 2011

Físico põe laser a serviço da saúde do coração

Spero Morato, da Innovatech, produz o primeiro stent 100% nacional. Sua meta é conquistar 15%do mercado brasileiro de stents

O físico aposentado Spero Morato é um dos responsáveis pelo primeiro stent coronário totalmente desenvolvido e fabricado no Brasil, produto que chegou ao mercado há cerca de seis mses e é voltado ao tratamento de pacientes cardíacos com estreitamento de artérias.

Produzido por uma de suas empresas, a Innovatech Medical - incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), em São Paulo -, o Cronus, como o produto foi batizado, é uma espécie de malha de liga metálica cortada por laser e cujo formato é similar a um tubo. Acompanhado de um balão, o stenté inserido em artérias ou vasos sanguíneos obstruídos. Uma vez expandido, ele permite que o fluxo do sangue volte ao normal.

De acordo com Morato, a meta da Innovatech é deter 15% do mercado brasileiro de stents no prazo de três a quatro anos. O objetivo é ambicioso e certamente a concorrência, predominantemente formada por empresas estrangeiras, tentará de tudo para que ele não realize tal intento. Mas o físico acredita que a nacionalização do produto e seus conhecimentos técnicos o ajudarão.

É que a história por trás da chegada do Cronus ao mercado remonta à decisão de Morado de não pendurar as chuteiras após o término de sua carreira no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), onde atuou por 32 anos, ocupando inclusive a superintendência da entidade entre 1990 e 1995. Três anos após deixar o Ipen, ele criou a Lasertools, que presta serviços de gravação, corte, solda e perfuração a laser, um negócio com faturamento anual de R$ 3 milhões.

A empresa ficou incubada no Cietec desde sua criação até 2002, quando mudou-se para uma sede própria.

Retorno à incubadora

Morato conta que foi a goiana Scitech, especializada na fabricação e distribuição de dispositivos médicos, que procurou a Lasertools para desenvolver o Cronus. Com o início do trabalho, Morato percebeu que o mais adequado seria criar uma empresa específica para cuidar do desenvolvimento do produto.

Foi então que nasceu a Innovatech, da qual a Scitech é sócia. ``A Lasertools tem uma cultura de corte e gravação de peças maiores. Achei melhor pegar a equipe que estava desenvolvendo o stent, retornar ao Cietec e abrir um novo empreendimento``, diz Morato.

No momento, o físico e sua equipe trabalham no desenvolvimento de um stent que não dependerá de balão para ser expandido. É que o produto será fabricado com nitinol, liga metálica que tem entre suas propriedades a chamada memória de forma, isto é, a capacidade de retornar a sua forma original após uma deformação.

``Deve levar um ano para esse produto chegar no mercado``, diz o diretor da Innovatech. O Cronus já foi implantado em cerca de 2 mil pessoas com problemas cardíacos. A linha é formada por stents de seis comprimentos (9 mm, 13 mm, 16 mm, 19 mm, 23 mm e 26 mm), em três diâmetros diferentes (2,5 mm, 3mme 3,5 mm).

De acordo com Morato, a Innovatech opera em seu ponto de equilíbrio, com faturamento suficiente apenas para pagar seus custos. A empresa, que tem capacidade de produzir cerca de 600 stents por mês, recebeu aproximadamente R$ 1,5 milhão em investimentos, sendo R$ 520 mil da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), R$ 200 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o restante dos sócios.