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Ontologia sem espelhos: ensaio sobre realidade - Descartes - Locke - Berkeley - Kant - Freud

Resumo

Este livro é uma publicação conjunta de docentes brasileiros vinculados a grupos de pesquisa em filosofia da psicanálise, que propõem um ensaio sobre o estatuto da realidade: mas o que é a realidade, afinal? Essa que é uma questão fundamental para a Filosofia também é o ponto de partida dos autores, que buscaram reposicionar a questão ontológica sobre a realidade, revisitando algumas das principais tradições da filosofia moderna e trazendo ao debate a psicanálise e a ficção literária. São apresentadas três perspectivas ao problema da realidade. Primeiro, através da relação literatura-filosofia, em que a interrogação acerca do que é real ou não aparece no plano da narrativa e do jogo da argumentação e da linguagem. Neste caso, recorreu-se a algumas ideias de Jorge Luis Borges e suas especulações sobre a realidade nas ficções literárias e em relação à escrita filosófica. Na segunda perspectiva, a temática é colocada em relação a quem faz a pergunta e ao seu objeto. Realiza-se um retorno a dispositivos teóricos da filosofia moderna e suas objeções, especialmente em Descartes, Berkeley e Kant. Por fim, o recurso à psicanálise indica o horizonte do fracasso das pressuposições anteriores e faz repensar as relações de determinação causal, a identidade do sujeito e o estatuto da relação interior/exterior. Freud se defrontou com a fragilidade de algumas ficções originárias e põe em relevo a superfície na qual se formula a pergunta e a tentativa de resposta sobre a realidade, uma vez que o sujeito que lança a questão é constituído na relação com o espaço que se supõe e as ficções conceituais que se propõem. Portanto, antes de responder à pergunta o que é a realidade? deve-se indagar sobre os dispositivos teóricos que permitem a pergunta e a resposta, observando suas condições de possibilidade: o tipo de ficções que ordena o campo conceitual, as relações de causalidade entre os eventos, bem como pensar a espacialidade, a temporalidade e a linguagem que sustentam os elementos dessa questão. Este material coloca em destaque os próprios fundamentos da pergunta sobre a realidade, revelando a contingência desta questão com a linguagem e o lugar do sujeito da enunciação. Ao final, constitui-se em um esforço de revisão e de deslocamento em relação ao clássico espelhamento que opõe realidade objetiva e eu subjetivo, próprio do dispositivo teórico da modernidade, para além do qual a psicanálise e a experiência estética podem configurar pontos de ruptura. (AU)