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Em busca de um cinema em fuga

Resumo

A criação no cinema, assim como na arte em geral, sempre suscitou muito mais questionamentos que respostas. Como se compõe um filme? Ou melhor, por que e com que elementos ele é construído? Ricciotto Canudo, ao cunhar a expressão sétima arte no início do século XX, observava que o cinema - escrita da luz em movimento e novo avatar da tão almejada "arte total" - acendia ao mesmo tempo uma vela para o tempo (como a poesia, a dança e a música) e outra para o espaço (como a pintura, a escultura e a arquitetura). Mas como toda criação permanece um mistério, ela só pode ser abordada de maneira indireta, enviesada, através de jogos de abstração e analogias inesperadas - neste caso, com o puzzle, o mosaico e o labirinto, a partir da obra de Robert Bresson, Alain Resnais e Jean-Marie Straub -, a fim de encontrarmos algumas respostas (ou novas indagações) a respeito dessa fugaz arte do tempo que, paradoxalmente, só existe como registro congelado a ser eternamente retomado, recuperado, reanimado, parecendo escapar a cada momento. (AU)