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As escritas do ódio: psicanálise e política

Processo: 18/10073-9
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de agosto de 2018 - 31 de julho de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Tratamento e Prevenção Psicológica
Pesquisador responsável:Miriam Debieux Rosa
Beneficiário:Miriam Debieux Rosa
Instituição-sede: Instituto de Psicologia (IP). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):Ódio  Sociedade  Psicanálise  Escrita  Política  Segregação 

Resumo

Em nossos dias vivemos condições limites que colapsam um tempo de pensar, instituindo a pressa e a passagem a ato. Fundamentalismos, fanatismos, guerras, golpes de estado e violência ocupam o centro das notícias globais e das experiências no laço social. Este livro pretende levantar uma série de indagações sobre manifestações contemporâneas de violência, em que o ódio passa ao centro da cena. A Produção do livro As escritas do ódio: Psicanálise e política teve início no V Colóquio Internacional Escrita e Psicanálise e III Colóquio Psicanálise e Sociedade: clínica, cultura e política realizado no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, entre os dias 28 a 30 de novembro de 2016, que efetivou o diálogo e a produção conjunta da Rede de Pesquisa Escritas da Experiência e do Laboratório de Psicanálise e sociedade do IP-USP. O resultado foi a reunião de pesquisadores de 15 Programas de Pós-Graduação de várias áreas, de 3 estados brasileiros e 3 países diferentes, contando com a presença de 32 palestrantes e uma conferência de abertura atesta que o objetivo do encontro, que consistia em reunir os principais grupos de pesquisa em psicanálise, atuantes nas universidades brasileiras, em torno do debate sobre as questões contemporâneas em torno do ódio, em diversos campos, foi atingido com grande sucesso. O livro dará seguimento às discussões atuais voltadas para a temática do ódio e fenômenos relacionados tais como: fundamentalismo, fanatismos, guerras, e violência dentro da perspectiva do laço social. O seu objetivo é debate em torno das escritas contemporâneas do ódio nos diversos campos: clínica, cultura, política, artes, literatura, filosofia, sociologia, gênero, etc. A organização e edição desses artigos, coloca-se como uma tentativa de escandir os tempos e produzir debates entre pesquisadores, que possa resultar numa intervenção mais ampla no laço social. Alguns fundamentalismos evocam escritas sagradas para justificar atos extremos. A escrita contém uma báscula entre solução e violência. Solução porque pode servir como contorno e pacificação de algo que resta não inscritível simbolicamente. Do ponto de vista da psicanálise, pode ser pensado como algo de um real que não cessa de não se escrever e que acossa o sujeito, na tentativa de produção de algo que o represente no campo dos valores, constituintes do discurso que faz laço social. Mas também violência, porque pode intervir como ato de criação, desarranjando soluções compartilhadas até então. Um traçado no mapa - num acordo de guerra, por exemplo - pode fazer desaparecer línguas e costumes, impondo aos sujeitos o apagamento de heranças simbólicas. Temos exemplos disso em diferentes tempos históricos. Nesse sentido, sua força faz parte de uma violência originária que insiste, constituindo uma fragilidade específica dos falantes. Assim, o livro apresenta um mapeamento dos recortes e perspectivas que caracterizam as pesquisas em psicanálise no que se refere à temática do ódio, distribuídos em vinte e dois capítulos, dentro de três eixos principais de trabalho. A Parte I, ÓDIO E ESCRITA DA EXPERIÊNCIA, conceitua a experiência do ódio e estabelece as suas interfaces contemporâneas. A Parte II, ÓDIO E SEGREGAÇÃO, identifica os objetos do ódio e modalidades de propagação no campo público. A Parte III aborda mais diretamente uma temática constrangedora do laço contemporâneo, ÓDIO E POLÍTICA. (AU)

Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre o auxílio:
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