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Vidas talhadas no avesso da história. relações de gênero e étnico-raciais no contexto das migrações laborais rurais

Processo: 18/14071-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de outubro de 2018 - 30 de setembro de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Sociologia Rural
Pesquisador responsável:Maria Aparecida de Moraes Silva
Beneficiário:Maria Aparecida de Moraes Silva
Instituição-sede: Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). São Carlos, SP, Brasil
Vinculado ao auxílio:12/23959-9 - Mapeamento e análise do território do agrohidronegócio canavieiro no Pontal do Paranapanema - São Paulo - Brasil: relações de trabalho, conflitos e formas de uso da terra e da água, e a saúde ambiental, AP.BIOEN.TEM
Assunto(s):Trabalho rural  Doenças  Expropriação  Gênero 

Resumo

ResumoA coletânea, Vidas talhadas no avesso da história. Relações de gênero e étnico-raciais no contexto das migrações laborais rurais, congrega pesquisas desenvolvidas em vários tempos e espaços sociais. Os artigos desta coletânea visam contribuir para o preenchimento de duas lacunas. A primeira delas se reporta ao fato de que os estudos do trabalho na contemporaneidade, em geral, reportam-se ao mundo urbano. A segunda lacuna se refere à produção acadêmica dos estudos rurais, os quais, nas últimas décadas, mormente no Brasil, privilegiaram temas relativos às ocupações de terras, aos movimentos sociais, aos conflitos e violência no campo, à agricultura familiar, dentre outros. Durante o período da ditadura militar, as pesquisas da sociologia rural - além das questões relativas ao avanço da fronteira agrícola, responsável pela expropriação de milhares de camponeses e pelo incremento da violência -, colocaram em cena os então, denominados, boias-frias. Esses trabalhadores eram os antigos moradores, colonos, posseiros, sitiantes, expulsos das fazendas ou de suas terras e foram viver nas cidades. Não possuindo qualificação para os empregos urbanos, sem contar que boa parte deles era analfabeta, foram empregados como assalariados temporários, segundo as necessidades da produção agrícola.O estado de São Paulo foi o carro-chefe das transformações da maneira de produzir, por meio do surgimento de novos produtos, da constituição dos grandes complexos agroindustriais e da mudança das relações sociais de produção. Data deste período o surgimento das grandes usinas de cana de açúcar e álcool das processadoras de suco de laranja. Houve a mobilidade dos capitais aplicados nessa agricultura, por meio da concentração da propriedade da terra e da mobilidade da força de trabalho. Houve o incremento das migrações, por meio da vinda de centenas de milhares de pessoas dos estados do nordeste e do Vale do Jequitinhonha mineiro. Tratou-se de uma migração permanentemente temporária, caracterizada pelo vaivém de centenas de milhares de homens, mulheres, mormente, para o trabalho nas principais colheitas da cana, laranja e café. A atividade que mais requeria mão de obra era a colheita da cana. De 1960 até o ano de 2017, o modus operandi era por meio da queima da palha antes do corte manual. No entanto, em virtude dos problemas ambientais causados pela fuligem da cana queimada, além dos altos índices de produtividade impostos, que ocasionaram a morte, supostamente, por exaustão de dezenas de trabalhadores, houve, gradativamente, o impulso para a mecanização do corte. Ademais do estado de São Paulo, maior produtor de açúcar e etanol do país, com seis milhões de hectares de terra ocupados com cana, destaca-se no nordeste o estado de Alagoas. No tocante às relações sociais de trabalho, estes dois estados apresentam muitas semelhanças, caracterizadas pelas formas de pagamento, pela superexploração e também pela concentração dos capitais. No entanto, Alagoas apresenta singularidades relacionadas à origem dos migrantes, às condições climáticas e do relevo. Este é o contexto social que originou esta desta coletânea. O fio condutor das linhas teóricas dos artigos é a centralidade do trabalho, entendido como processo social, envolvendo as relações entre capital e trabalho e seus desdobramentos, sobretudo, para os corpos dos trabalhadores. O trabalho não é visto como categoria abstrata, mas na concretude de quem trabalha. Concretude produzida no bojo dos processos de expropriação, superexploração e descarte. São três momentos da dialética perversa que sustenta a grandiosidade dessa produção. Vidas talhadas no avesso da história é o resultado de investigações que objetivaram escovar essa história a contrapelo, nos termos benjaminianos. Vidas de mulheres, homens, negros, mestiços que, nos canaviais alagoanos e paulistas, talharam a cana e, ao mesmo tempo, suas vidas. É um livro que narra outra história, a história/avesso do mundo das commodities (AU)