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Libertação, descolonização e africanização da psicologia: breve introdução à psicologia africana

Processo: 18/04366-3
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de outubro de 2018 - 30 de setembro de 2019
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Psicologia Social
Pesquisador responsável:Simone Gibran Nogueira
Beneficiário:Simone Gibran Nogueira
Instituição-sede: Centro de Ciências da Vida. Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-CAMP). Campinas, SP, Brasil
Vinculado à bolsa:15/11419-8 - Políticas de ações afirmativas e descolonização da psicologia: contribuições do pensamento crítico africano, BP.PD
Assunto(s):Descolonização 

Resumo

Objetivamente, este livro tem como finalidade apresentar: 1) Uma leitura crítica sobre a colonialidade do poder, do saber e do ser presentes na Psicologia tradicional Euro-americana e na vida cotidiana de brancos e não-brancos. Este esforço é realizado por meio de um diálogo entre diferentes perspectivas de pensamento no que se refere à colonização europeia e suas consequências psicossociais, bem como abre caminhos para formas inovadoras de produção de conhecimentos. Vale abrir um parêntese e explicar que, apesar das perspectivas da libertação, decolonial, pós-colonial e afrocentrada possuirem diferenças e divergências entre si, neste trabalho elas são postas em diálogo para cumprir a finalidade de mostrar as limitações do enquadramento eurocêntrico e destacar a necessidade de produção de conhecimentos mais coerentes e consistentes com as maiorias do mundo. Mais precisamente, neste livro o que será valorizado é a perspectiva afrocentrada, mas poderia ser indígena, asiática, árabe, etc.2) Para tanto, é importante compreender parte da construção histórica, política e científica inovadora de pesquisadores, pensadores e psicólogos negros/africanos no continente e na diáspora americana, que produzem conhecimentos há mais de cinco décadas, não só combatendo as mazelas da sociedade dominante, mas também propondo novos horizontes para a história da humanidade.3) No caso dos Estudos Afrocentrados, a construção destes novos horizontes para a humanidade são informados pela visão de mundo africana desde o Egito, a África negra e a diáspora, se valendo de conhecimentos que são ancestrais, milenares e longevos. Não se trata de substituir uma perspectiva etnocêntrica por outra, pois a afrocentrada reconhece a pluralidade e a necessidade de diálogo com outros povos para o bem comum. Não se trata de trazer para o presente conhecimentos encerrados no passado, porque na verdade eles nunca deixaram de existir e estão presentes na vida cotidiana das pessoas tanto no continente, quanto na diáspora americana, especialmente no Brasil, que é o país com maior número de descendentes de africanos fora do continente mãe, assim como é o segundo país no mundo com maior número de descendentes de africanos, ficando atrás somente da Nigéria. Trata-se na verdade de tomar consciência sobre os conhecimentos milenares africanos que estão presentes na nossa vida cotidiana no Brasil, reconhecê-los, valorizá-los e utilizá-los para a construção de uma proposta de sociedade mais plural, dialógica e justa no sentido do bem comum.4) Na especificidade da Psicologia, ressalta-se a importância de reconhecer as limitações imperialistas da Psicologia tradicional Euro-americana para o bem comum, e abrir diálogo para diferentes perspectivas de ser humano, de estabelecer relações sociais e produzir uma sociedade que seja verdadeiramente plural, dialógica e justa para as maiorias do mundo.Este livro tem com objetivo principal chamar a atenção de psicólogos e interessados nas relações étnico-raciais para a importância dos conhecimentos oriundos dos povos africanos, que para o Brasil foram trazidos à força, e que mantém em muitas práticas tradicionais as "comunalidades" ancestrais vivas no cotidiano do país. Mais ainda, representa um convite e um desafio à Psicologia brasileira para atentar às demandas próprias da população afrodescendentes, bem como produzir conhecimentos mais coerentes e consistentes com as maneiras afro-brasileiras de lidar com os problemas da vida cotidiana. Por vezes poderá ser um conhecimento muito mais frutífero do que os que as perspectivas euro-americanas têm nos oferecido. Por esta razão, este livro não constitui um fim, mas marca um começo, uma abertura num sentido mais plural, inclusivo e dialógico dentro da Psicologia Social brasileira. (AU)