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Efeito do estresse térmico no fluxo sanguíneo e metabolismo testicular de bovinos: existe uma differença entre raças europeias e zebuínos?

Processo: 18/02007-6
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de novembro de 2018 - 31 de outubro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Agrárias - Medicina Veterinária - Reprodução Animal
Pesquisador responsável:João Carlos Pinheiro Ferreira
Beneficiário:João Carlos Pinheiro Ferreira
Instituição-sede: Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Botucatu. Botucatu , SP, Brasil
Pesq. associados:Carlos Alberto Hussni ; Cyntia Ludovico Martins ; Francisco José Teixeira Neto ; John Patrick Kastelic
Assunto(s):Anóxia  Andrologia  Estresse térmico  Degeneração testicular 

Resumo

Os testículos de um touro devem ser mantidos mais frios que a temperatura corporal e o aumento da temperatura testicular reduz a motilidade, altera a morfologia dos espermatozóides e diiunindo a fertilidade. Quanto ao efeito do aumento da temperatura testicular na espermatogênese, há uma crença de que o testículo bovino é quase hipóxico, e o aumento da temperatura testicular aumenta o uso de O2, sem que contudo o fluxo sangüíneo aumente, resultando em hipoxia que causa a alteração da morfológico espermática normal com redução da motilidade e fertilidade. Essa hipótese, apesar de ser amplamente aceita, se sustenta por dados experimentais limitados. Além disso, dados científicos mostram que a hiperoxia não é protetora e a hipoxia não replica as mesmas mudanças, fazendo-nos duvidar de que a hipotermia testicular cause hipoxia. Elucidar a verdadeira fisiopatologia da hipertermia testicular é absolutamente essencial para o desenvolvimento de abordagens baseadas em evidências para prevenir ou reduzir os efeitos do estresse térmico na espermatogênese em touros.Em dois estudos recentes, usando carneiros anestesiados, mediu-se o fluxo sangüíneo testicular, o fornecimento e a absorção de O2 e a temperatura. No primeiro estudo, os carneiros foram expostos a três concentrações de O2 (100% (hiperoxia), 21% (normoxia) e 13% (hipóxia). No segundo estudo, as temperaturas testiculares foram aumentadas (33, 37 e 40 ° C) resultando em aumento do fluxo sanguíneo e extração tecidual de O2 sem indícios de hipoxia testicular ou metabolismo anaeróbio. A hipertermia aumentou o fluxo sanguíneo testicular e, como resultado, a não ocorreu a hipoxia.O espermatozoides morfologicamente anormais e subfertilidade são comuns em touros, sendo a hipertermia testicular frequentemente culpada ou suspeita por isso. Temperaturas ambientais elevadas reduzem a qualidade do sêmen em machos mamíferos. A situação está que esta se tornando cada vez mais comum, devido às mudanças climáticas.Embora os touros Bos indicus tenham uma resistência muito maior do que os touros Bos Taurus para o estresse térmico, incluindo seus efeitos sobre a espermatogênese, os mecanismos específicos permanecem obscuros. Portanto, há uma necessidade de determinar as diferenças de raça na suscetibilidade ao aumento da temperatura testicular.Nosso objetivo é comparar as respostas entre Bos indicus e Bos taurus bulls quanto ao fluxo sanguíneo testicular, entrega e absorção de O2 e produção de lactato (marcador de hipoxia) após estresse térmico testicular leve. Nós hipotetizamos que os touros B. indicus têm melhor habilidade do que os touros de B. taurus para modular o fluxo sangüíneo testicular e a distribuição de O2 em resposta ao estresse térmico testicular leve.Touros (12 B. indicus e 12 B. taurus) serão anestesiados e serão colocados cirurgicamente sonda de fluxo sanguíneo testicular e cateter para colheita de sangue testicular. Os testículos serão aquecidos a 33, 37 e 40ºC. O fluxo sanguíneo será medido e as amostras de sangue serão coletadas e avaliadas quanto aos gases no sangue e ao lactato (marcador de hipoxia), permitindo-nos medir a oferta e a absorção de O2 por testes.O trabalho proposto é muito novo e será conduzido por especialistas altamente qualificados, em verdadeira colaboração, usando métodos de ponta. Este estudo reúne especialistas em anestesia (Dr. Francisco T Neto), cirurgia (Dr. Carlos A Husni) e reprodução animal (Dr. John Kastelic e João C P Ferreira) e faz parte da Tese de doutorado de Guilherme Rizzoto. Dada a nossa experiência e que estamos usando abordagens semelhantes aos nossos estudos prévios em carneiros, estamos confiantes do sucesso na geração de novos dados que podem ser publicados em revistas internacionais de especializadas. Além disso, esperamos que este trabalho seja seguido por outros estudos colaborativos adicionais nesta área. (AU)