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Espectro e frequência de mutações germinativas em genes de predisposição ao câncer em pacientes com carcinoma de pâncreas

Resumo

O carcinoma de pâncreas é uma doença muito agressiva com taxa de sobrevida relativa em 5 anos muito baixa, de apenas 8%. A taxa de sobrevida pode ser maior quando a doença encontra-se localizada, entretanto, somente cerca de 9% dos casos são diagnosticados nesta fase. Não há terapias efetivas ou métodos de detecção precoce bem estabelecidos. Logo, a detecção da doença em fase precoce é a melhor chance de sucesso no tratamento, o qual baseia-se principalmente na ressecção cirúrgica. Estimativas indicam que o número de casos novos e de óbitos por câncer de pâncreas esteja se elevando ao longo dos anos, sendo que dados do Globocan estimam para 2020 um aumento de cerca de 31% e 24% no número de óbitos por câncer de pâncreas, no Brasil e no mundo, respectivamente, em relação ao ano de 2012. Além disso, estima-se que no ano 2030, o câncer de pâncreas torne-se a segunda maior causa de óbitos por câncer nos EUA. Existem evidências que indivíduos com alto risco possam se beneficiar da realização de exames de rastreamento para detecção de do câncer pancreático precoce. Dentre os casos de câncer de pâncreas, cerca de 90% é considerado esporádico, enquanto 10% apresenta agregação familiar, incluindo-se 3% que tem a sua causalidade atribuída a genes envolvidos em síndromes de câncer hereditário. Portanto, uma das estratégias de identificar indivíduos de risco é através da detecção de mutações patogênicas em genes de susceptibilidade ao câncer. Alguns estudos foram realizados para identificar genes de predisposição ao câncer envolvendo principalmente pacientes caucasianos da América do Norte e Europa que referiam história familiar de câncer de pâncreas e estavam incluídos em registros de câncer de pâncreas. Há indicações que mesmo pacientes sem história familiar de câncer podem apresentar mutações germinativas patogênicas, as quais poderiam passar desapercebidas, caso sejam adotados apenas critérios de história familiar na indicação do teste genético. Logo, o número de pacientes testados ainda está aquém do desejado, é possível que haja certo viés de inclusão e o espectro e frequência de mutações germinativas ainda não foi esclarecido. Portanto, nosso objetivo é avaliar a história familiar, o espectro e frequência de mutações em genes de susceptibilidade ao câncer em pacientes com carcinoma de pâncreas no Brasil. Trata-se de doença agressiva, pouco conhecida e bastante negligenciada, que necessita ser melhor estudada, na tentativa de reduzir o impacto dramático do aumento de mortalidade estimado para os próximos anos. Este é um estudo prospectivo que pretende incluir 200 pacientes com carcinoma de pâncreas consecutivos e não selecionados com base em história familiar. Será sequenciado um painel de 94 genes associados ao câncer e que inclui, entre outros, os genes envolvidos em síndromes associadas à predisposição ao câncer de pâncreas. Os resultados serão depositados em banco de dados públicos e será realizado estudo de custo efetividade para avaliar a introdução de exames de detecção precoce em familiares portadores de mutação. Este estudo apresenta como aspectos originais: inclusão de população fora do Hemisfério Norte, sequenciamento de um amplo painel de genes que podem estar associados ao câncer, caráter prospectivo com inclusão de pacientes não selecionados por história familiar, aplicação de questionário para definir fatores preditivos para indicação do teste genético (história familiar e hábitos), avaliação de custo efetividade de rastreamento de indivíduos de risco (familiares portadores da mutação). (AU)