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Água no Oriente Médio: o fluxo da paz

Resumo

Este livro apresenta os resultados de uma pesquisa de pós-doutorado empreendida na Síria e países do Golfo Pérsico entre 2010 e 2011, em parceria com a Universidade de Damasco. Retornando ao Brasil, os resultados foram defendidos em forma de tese de livre docência no Departamento de Geografia (USP) em 2012. Um ano mais tarde, como visiting scholar na University of Cambridge, nós pudemos refinar os resultados, atualizar os conceitos e traduzir algumas partes para o inglês, que resultou na publicação de dois artigos publicados em revistas internacionais. O principal objetivo consiste em refutar o amplamente divulgado paradigma malthisiano que prevê conflitos derivados de escassez de água, demonstrando que esta perspectiva não tem base empírica nem conceitual. A pesquisa baseou-se na hipótese de que tanto as políticas de uso compartilhado de água como o uso de tecnologias podem anular o paradigma escassez-conflito. Para corroborar esta hipótese, utilizamos duas variáveis ilustradas por dois contextos: a Bacia do rio Eufrates foi escolhida para o estudo da primeira variável da hipótese (compartilhamento), mostrando que os acordos de compartilhamento de bacias têm assegurado um uso justo de água, evitando conflitos, não só no Oriente Médio mas também na grande maioria das bacias internacionais pelo mundo inteiro. O segundo contexto, o Golfo Pérsico e Península Arábica, foi usado para corroborar a segunda variável da hipótese: o uso de tecnologia para assegurar o abastecimento de água, novamente, não apenas no Oriente Médio como estudo de caso, mas em todo o mundo, enfraquecendo irreversivelmente a perspectiva malthusiana de conflito pela água. Propusemos, então, uma revisão conceitual dos recursos hídricos, agora considerados como recursos inesgotáveis (dadas as quantidades existentes e considerando que a maior parte da água que existe nos continentes vem dos oceanos reprodutíveis (pela dessalinização da água dos oceanos), considerando que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas consomem água dessalinizada e que algumas usinas dessalinizadoras trabalham com energia inesgotável, como a eólica e a solar e naturalmente reciclável, via ciclo hidrológico, que faz com que a precipitação nos continentes seja 8 por cento maior do que a evaporação, garantindo uma descarga contínua. Finalmente, concluímos que, excluindo os contextos de extrema abundância (por exemplo, Amazônia) ou de extrema escassez (por exemplo, no Golfo Pérsico, onde praticamente não há água para ser disputada) excluindo também os contextos de bacias internacionais regulamentadas por protocolos e acordos de cooperação, além daqueles em que a tecnologia assegura o abastecimento, acabamos por identificar contextos absolutamente restritos e limitados em que risco de conflito permanece muito incipiente. Em suma, todos estes argumentos podem refutar fortemente a perspectiva de conflitos derivados de escassez de água. (AU)

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