Busca avançada
Ano de início
Entree

Pauliceia Esfacelada: uma investigação sobre o processo de demolição de espaços na área central de São Paulo e suas representações midiáticas

Resumo

A cidade de São Paulo ficou conhecida, tanto na historiografia, quanto nos comentários midiáticos, como aquela que se destruiu para dar lugar a uma metrópole. Estas imagens de esfacelamento, ruptura com o passado ou mesmo de progresso, permearam o imaginário de gerações que viveram o século XX, e parecem ter naturalizado os processos de demolições. Isto nos leva a perceber a possibilidade de compreensão dos deslocamentos de populações atingidas pelos desmontes, processos de desapropriação, valores pagos, desaparecimento de espaços simbólicos, conflitos na imprensa e representações (laudatórias e contestadoras) ligadas a tais ações. Entretanto, também percebemos que nem tudo se perdeu ou desapareceu no tecido da cidade, muito menos no imaginário urbano. Propomos, então, uma compreensão, pelo viés da história social urbana, de algumas das dimensões inerentes à configuração e à reconfiguração da cidade. Esta investigação proposta, assim, debruça-se sobre o projeto urbano de maior impacto na centralidade de São Paulo até a primeira metade do século XX: a implantação do Perímetro de Irradiação, parte basilar do Plano de Avenidas, desenvolvido por Ulhôa Cintra e Prestes Maia, em 1922 e 1924, e instalado pela municipalidade da capital, e pelo próprio Prestes Maia de 1938 até 1945. Assim, levantaremos para o circuito que envolveu as regiões da Sé, Várzea do Carmo (Parque Dom Pedro), Santa Ifigênia, República, Bixiga e Liberdade, os procedimentos administrativos, as tensões sociais inerentes à atividade demolidora da municipalidade, as representações de progresso e futuro, bem como a emergência de textos, representações visuais e processos judiciais que serviram de avesso à ideia de que a obra de implantação do Anel Automobilístico foi consensual em São Paulo. O objetivo é, em última instância, duplo: a) levar a uma reconstituição tridimensional virtual, de trechos arrasados da cidade para a implantação do perímetro de irradiação, garantindo uma compreensão maior dos impactos das mudanças espaciais, as sobrevivências, e uma aplicação didática, e b) a formatação de uma exposição, em que documentos burocráticos, relatos textuais, imagens e a reconstrução visual da cidade pré e pós perímetro de irradiação possam ser divulgados. (AU)