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A história (des)contínua: Jacob do Bandolim e a tradição do choro

Processo: 18/10382-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de fevereiro de 2019 - 31 de janeiro de 2020
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Música
Pesquisador responsável:José Roberto Zan
Beneficiário:José Roberto Zan
Instituição-sede: Instituto de Artes (IA). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Choro  Sociologia da música  Música popular 

Resumo

O título deste livro estabelece uma correspondência entre seus enunciados: "o problema da tradição na trajetória de Jacob do Bandolim" e "comentários à história oficial do choro". Tal correspondência se desdobra nas duas teses fundamentais que sustentam o trabalho. A viga-mestra é ideia de que a trajetória de Jacob Pick Bittencourt foi um ponto de inflexão na história do choro. Com o foco direcionado para "o problema da tradição", os processos e elementos capazes de comprovar a força dessa ideia ganham nitidez. Por um lado, foi esse problema que mobilizou e organizou grande parte dos esforços que o bandolinista dispensou em sua atuação como músico, compositor e pesquisador. Tendo em vista seus desdobramentos para a história do gênero, sua trajetória foi analisada tanto no âmbito das disputas estético-ideológicas que configuraram o campo da música popular quanto no da conformação interna do material musical (capítulos 3 e apêndice, 4 e 6), sem deixar de levar em consideração os condicionantes histórico-sociais que favoreceram a formação de uma conduta individual cujo impacto naqueles âmbitos foi decisivo (capítulo 5 e apêndice). Por outro lado, "o problema da tradição" também mobiliza e organiza as formas atuais de narrar a história do choro e, consequentemente, recobre de sentidos a trajetória de Jacob do Bandolim. Assim, o desenvolvimento da investigação sobre aquela ideia-mestra implicou tecer comentários sobre a história do choro tal como se convencionou narrá-la. Em outras palavras, analisar o problema da tradição na trajetória de Jacob do Bandolim foi também discutir o processo de construção de uma narrativa pela qual se transmite uma determinada leitura da história deste gênero que nos atinge no presente e que se esforça por apresentar-se como evidente. A identificação dessa narrativa e o exame de seus fundamentos constituem o conteúdo do capítulo inicial. É no solo da crítica historiográfica, portanto, que se apoia aquela viga-mestra. Nesse sentido, ao longo do trabalho, a reflexão sobre a escrita da história foi aliada à análise histórico-social e ao exame interno do material musical em momentos determinantes para a configuração do choro. Diante desse exercício crítico emergiram as figuras que acompanham a investigação sobre a trajetória estudada: Pixinguinha e a Belle Époque carioca (capítulo 2 e apêndice). Emergiram também as rupturas nas formas de sociabilidade que ficaram ocultas nos elos de continuidade que fundam a "tradição do choro" (capítulos 2 e 6), e diante das quais o legado de Jacob do Bandolim revela a sua importância fundamental para a permanência da aparência de continuidade (capítulo 7). O desvelamento dessas rupturas permitiu também compreender o processo de neutralização de Pixinguinha ("Sobre a liquidação de Pixinguinha") e, além disso, identificar a natureza e a função da matriz discursivo-ideológica que funda o impulso narrativo da historiografia do choro ("Sobre os anos 20, a crise e o impulso narrativo"). Finalmente, a exploração daquela correspondência inicial se aprofunda até o ponto em que a continuidade da tradição enquanto desdobramento de uma forma de narrar a história do choro é interrompida, dando lugar à reflexão final sobre as possibilidades que se abrem para uma nova história ("A tradição como aparência"). (AU)