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Efeito do roflumilaste na qualidade de vida, função pulmonar e características do muco em pacientes com bronquiectasias não fibrose cística: estudo cross-over, unicêntrico, duplo cego e placebo controlado

Resumo

Bronquiectasia é uma doença crônica caracterizada pela destruição dos componentes estruturais da parede brônquica e consequente dilatação irreversível dos brônquios. Sua prevalência aumentou nos últimos anos mas não se sabe se o número de pacientes com bronquiectasia aumentou ou se houve maior diagnóstico da doença devido ao uso mais amplo de tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) na medicina. Entre as causas de bronquiectasias não fibrose cística (não-FC), podemos citar pós infecciosa, doenças autoimunes, imunodeficiências, anormalidades ciliares e idiopáticas (30-50%). Manifesta-se como dispneia, tosse crônica, com produção de secreção frequente e infecções respiratórias recorrentes. O diagnóstico é feito com TCAR e posterior investigação etiológica. Apesar de relativamente comum, a bronquiectasia é considerada uma doença órfã pois há poucas evidências fortes para o adequado tratamento, a maioria das opções terapêuticas são extrapoladas de estudos com pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou fibrose cística (FC). O tratamento com maior evidência é uso de macrolídeos, especialmente azitromicina devido à facilidade posológica. O roflumilaste é um inibidor de fosfodiesterase-4, com efeito anti-inflamatório in vitro e in vivo devido à inibição da quebra monofostato de adenosina cíclica (cAMP) à sua forma inativa pela fosfodiesterase. Como esta é uma enzima expressa em altas concentrações nos leucócitos e outras células inflamatórias responsáveis pela patogênese de doenças pulmonares como o DPOC, vem sendo estudada e usada para esta doença. Uma vez que a bronquiectasia e o DPOC são doenças inflamatórias crônicas, apresentam processos inflamatórios semelhantes, é de se esperar que o uso do roflumilaste também tenha efeito anti-inflamatório na bronquiectasia. Além disso, sendo a bronquiectasia uma doença com pobres evidências para tratamento farmacológico, faz-se necessária a busca por novas possibilidades terapêuticas.Será realizado um ensaio clínico do tipo crossover duplo cego, placebo controlado, com um total de 30 pacientes do ambulatório de bronquiectasia não fibrose cística da Divisão de Pneumologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HCFMUSP).O cálculo amostral foi baseado nos resultados preliminares de um estudo em andamento na Coreia que mostrou melhora na qualidade de vida nos pacientes que usaram roflumilaste.Os pacientes serão randomizados para grupo intervenção, que receberá roflumilaste na dose de 500 mcg em dias alternados durante 4 semanas, posteriormente aumentada a dose para 500mcg 1x ao dia por mais 8 semanas, e grupo placebo, que receberá comprimidos semelhantes à medicação testada, inclusive na posologia anteriormente explicitadas. Após 12 semanas de seguimento, haverá período de washout de 2 semanas e posterior troca da medicação recebida para mais 12 semanas de seguimento, num total de 26 semanas. (AU)