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Modulação do microbioma do intestino de portadores de retocolite ulcerativa através de transplantação fecal: um estudo controlado, duplo cego e randomizado

Processo: 18/16972-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de junho de 2019 - 31 de maio de 2021
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Microbiologia - Microbiologia Aplicada
Pesquisador responsável:Josias Rodrigues
Beneficiário:Josias Rodrigues
Instituição-sede: Instituto de Biociências (IBB). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Botucatu. Botucatu , SP, Brasil
Pesq. associados:Fernando Gomes Romeiro ; Ligia Yukie Sassaki
Assunto(s):Microbiologia médica  Doenças inflamatórias intestinais  Proctocolite  Microbioma gastrointestinal  Disbiose  Coliformes  Transplante de microbiota fecal  Terapia por fagos 

Resumo

A retocolite ulcerativa é uma doença que afeta o intestino, em grau e extensão variáveis, na forma de lesões detectadas em exames de colonoscopia. Trata-se de uma patologia de causa desconhecida, incurável e associada a múltiplos fatores, incluindo o desequilíbrio na composição de espécies do microbioma (disbiose). A disbiose intestinal na retocolite ulcerativa implica não apenas na redução da biodiversidade microbiana, mas também em aumento de espécies que podem ser patogênicas como Escherichia coli e na redução de bactérias com funções importantes na manutenção da homeostase intestinal, como Faecalibacterium prausnitzii. Apesar de não se ter estabelecido uma ligação da doença com qualquer agente infeccioso, o quadro de disbiose deve pelo menos agravar seus sintomas. Por isto, o controle da doença, baseado na reposição de bactérias (bacterioterapia) tem sido considerado como abordagem terapêutica promissora e, em sua forma mais completa, compreende a administração de fezes (transplantação fecal) de doadores sadios. Estudos até então realizados sugerem que a eficácia da transplantação fecal para o tratamento da retocolite ulcerativa varia de um paciente para o outro e indicam que, em alguns casos, a remissão dos sintomas só é possível com um regime massivo de aplicação, que pode ultrapassar 4 semanas contínuas, com doses diárias. Além disto, o material fecal dos doadores deve apresentar grande diversidade microbiana, o que, em geral, se consegue com a formação de pools de múltiplos doadores. O uso de enemas de retenção, que é a forma mais comum de administração das fezes, é um desafio à aplicação de um regime massivo, tendo em vista o incômodo e a dificuldade da aplicação apresentada pelos pacientes. Para contornar esta limitação de emprego de múltiplas aplicações da transplantação fecal, o estudo aqui proposto pretende avaliar o uso de fezes no interior de cápsulas de liberação tardia (rompimento apenas no intestino), por via oral, para o controle da retocolite ulcerativa. As aplicações consistirão de cápsulas contendo fezes de múltiplos doadores, produzidas antecipadamente e criopreservadas. Os doadores de fezes serão indivíduos indicados pelos próprios pacientes (pelo menos um doador por paciente) e selecionados pela sua condição de saúde, através de exames clínicos e laboratoriais e com base na biodiversidade do microbioma e outras propriedades de seu material fecal. Os pacientes com retocolite ulcerativa consistirão de 32 indivíduos adultos, com atividade clínica leve à moderada, os quais serão divididos em dois grupos de 16. Indivíduos de um destes grupos (grupo tratado) receberão cápsulas de fezes de mais de um doador durante 5 dias por semana, por pelo menos 4 semanas contínuas, e aqueles do outro grupo (grupo placebo) receberão cápsulas contendo salina, pelo mesmo período do grupo anterior, preparadas previamente e criopreservadas. Antes e durante o tratamento, ambos os grupos terão sua condição de saúde avaliada por exames clínicos, laboratoriais e análise do microbioma intestinal. Além disto, serão aplicados, aos pacientes, questionários com objetivo de obter informações que indiquem melhoria em sua qualidade de vida e relatos de efeitos adversos com os tratamentos recebidos. A melhora da atividade da doença será avaliada pelo escore de Mayo, sendo que o tempo de aplicação do regime será de 8 semanas. A expectativa é de que a execução deste projeto deverá trazer contribuições importantes não apenas para o controle da retocolite ulcerativa (evolução clínica, com base em diferentes parâmetros de avaliação), mas também dados que possibilitem a elaboração de protocolos de transplantação fecal visando à correção da disbiose intestinal comum a outras patologias. (AU)

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