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Origem e evolução da avifauna dos Brejos de Altitude do Nordeste: compreendendo as conexões passadas entre Mata Atlântica e Amazônia

Resumo

Nas últimas décadas foram propostas novas hipóteses biogeográficas para região Neotropical através de dados paleontológicos, geológicos e filogenéticos. No entanto, ainda são poucos os estudos que focam na Caatinga, apesar de ser um bioma único brasileiro, com alto grau de endemismo, muitas espécies ameaçadas, altamente degradada e com poucas unidades de conservação. A Caatinga é uma região heterogênea. Dentre a complexidade paisagística da Caatinga destacam-se os Brejos de Altitude, que são enclaves de matas úmidas entre c. 500 e 1100 m de altitude, representando ilhas de florestas entre a Mata Atlântica e a Amazônia. Devido ao alto grau de isolamento, os Brejos abrigam diversas espécies endêmicas, e linhagens monofiléticas, sendo a conservação destas áreas cruciais para a conservação da diversidade regional. Mesmo estando localizados em áreas de cabeceiras de bacias hidrográficas desempenhando assim um importante papel na manutenção dos ciclos hidrológicos da região, as áreas de Brejo estão sendo destruídas. Acredita-se que as matas úmidas que constituem os Brejos de Altitude originaram-se devido à expansão e retração da Mata Atlântica e da Amazônia. No entanto, ainda não se sabe exatamente como e quando esses dois biomas estiveram conectados, ou se as similaridades observadas entre os Brejos e estas florestas são resultados de eventos de dispersão. Nos últimos anos vários estudos têm mostrado a importância de se integrar informação filogenética em programas de conservação. Por exemplo, a combinação de filogenias datadas com modelos de distribuição dos organismos permitem compreender os efeitos de mudanças climáticas passadas e utiliza-las para planejar a conservação diante das mudanças climáticas atuais e futuras. Estudos de filogenética molecular e modelagem de nicho, tem mostrado que diferentes espécies de aves respondem de forma distinta frente a alterações climáticas. As informações de como as espécies reagiram no passado frente à alterações climáticas intensas podem ser usadas para estudar o grau de suscetibilidade e resposta da biota à mudanças climáticas atuais e do futuro. O entendimento das inúmeras variáveis determinantes das respostas dos organismos frente à alterações climáticas tem uma importância fundamental no contexto do aquecimento global já verificado e previsto para várias regiões do planeta. Estas informações são imprescindíveis para o desenvolvimento de políticas públicas que atenuem os efeitos destas mudanças sobre a biodiversidade. Esta proposta tem como objetivo principal fazer uma análise abrangente estudando a relação histórica entre as áreas de Brejo de Altitude, a Amazônia e a Mata Atlântica e relaciona-la a eventos geológicos e/ou de mudanças na paisagem. Desta forma pretende-se levantar hipóteses mais robustas a respeito da origem da avifauna dos Brejos, bem como os efeitos das mudanças climáticas passadas na conexão das grandes áreas de florestas úmidas da Região Neotropical. (AU)

Publicações científicas
(Referências obtidas automaticamente do Web of Science e do SciELO, por meio da informação sobre o financiamento pela FAPESP e o número do processo correspondente, incluída na publicação pelos autores)
CORBETT, EAMON C.; BRAVO, GUSTAVO A.; SCHUNCK, FABIO; NAKA, LUCIANO N.; SILVEIRA, LUIS F.; EDWARDS, SCOTT V. Evidence for the Pleistocene Arc Hypothesis from genome-wide SNPs in a Neotropical dry forest specialist, the Rufous-fronted Thornbird (Furnariidae:Phacellodomus rufifrons). Molecular Ecology, v. 29, n. 22, p. 4457-4472, NOV 2020. Citações Web of Science: 1.

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