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Barreira hematoencefálica: um novo paradigma no tratamento da hipertensão

Processo: 18/14544-6
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Temático
Vigência: 01 de junho de 2019 - 31 de maio de 2024
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Fisiologia - Fisiologia de Órgãos e Sistemas
Pesquisador responsável:Lisete Compagno Michelini
Beneficiário:Lisete Compagno Michelini
Instituição-sede: Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Pesquisadores principais:Alison Colquhoun ; Vagner Roberto Antunes
Pesq. associados: Gustavo Santos Masson ; Joseph Francis ; Song T. Yao
Assunto(s):Microglia  Angiotensina II  Hipertensão  Treinamento aeróbio  Fisiologia cardiovascular 

Resumo

A disfunção autonômica resultando em ativação do sistema renina-angiotensina plasmático e tecidual é um dos principais condicionantes dos efeitos deletérios da hipertensão arterial. Em áreas encefálicas de controle autonômico a elevada disponibilidade de angiotensina II (Ang II) ativa diversas vias de sinalização intracelular as quais aumentam a atividade neuronal resultando na simpatoexcitação característica de hipertensão neurogênica. Além dos efeitos da Ang II sintetizada localmente ou circulante (agindo em receptores localizados no endotélio de vasos encefálicos), Stern e cols. identificaram recentemente em hipertensos crônicos lesão da barreira hematoencefálica (BHE) em áreas autonômicas, o que permitia o acesso de Ang II plasmática a essas áreas normalmente protegidas pela barreira, potencializando seus efeitos deletérios. Frente a estes achados e sendo nossa linha de pesquisa voltada à identificação e à correção dos mecanismos centrais desencadeantes da disfunção autonômica na hipertensão, buscamos avaliar a inter-relação entre BHE e controle autonômico. Em SHR (melhor modelo experimental de hipertensão primária ou neurogênica) verificamos que; i) a disfunção da BHE e o desequilíbrio autonômico estão ausentes na fase pré-hipertensiva, mas manifestos na fase crônica da hipertensão, ii) o treinamento aeróbio iniciado nesta fase era eficaz em corrigir a disfunção da BHE e o desequilíbrio autonômico, iii) esses efeitos eram bloqueados pela infusão intracerebroventricular simultânea da Ang II (Buttler et al, 2017). Não há na literatura informações sobre os mecanismos pelos quais a hipertensão e/ou a Ang II prejudicam o funcionamento da BHE e muito menos se sabe sobre a potencialidade do treinamento aeróbio em corrigir a lesão da BHE, o que pretendemos investigar neste projeto. BHE é uma barreira seletiva entre a circulação sistêmica e o sistema nervoso central formada por um sistema celular complexo composto por células endoteliais fortemente unidas por junções oclusivas (limitantes do transporte paracelular, permitindo apenas a transcitose), membrana basal, pericitos e podócitos dos astrócitos (que envolvem os capilares cerebrais) A micróglia, embora não participando estruturalmente da BHE, modifica sua função pela síntese/liberação local de citocinas pró-inflamatórias, principalmente em estádios hipertensivos. É nossa hipótese de trabalho que a hipertensão e/ou a Ang II lesam a BHE enquanto que o treinamento aeróbio corrige sua disfunção por alterar a expressão de um (ou mais) constituintes da BHE, a inter-relação entre os mesmos e/ou os mecanismos de transporte paracelular e transcelular entre o plasma e o parênquima cerebral. São, portanto, nossos objetivos avaliar em áreas autonômicas (núcleo paraventricular do hipotálamo, núcleo do trato solitário e bulbo rostroventrolateral) de SHR e respectivos controles os efeitos da elevada pressão, da disponibilidade de Ang II e do treinamento aeróbio sobre: 1) a permeabilidade da BHE, 2) a expressão genica/proteica dos diferentes constituintes da BHE, 3) a estrutura e ultraestrutura da BHE, 4) a funcionalidade da BHE em alterar o transporte paracelular e a transcitose, 5) o simultâneo controle autonômico da circulação. Ainda para se investigar se as alterações induzidas pelo treinamento são específicas aos SHR ou generalizadas na hipertensão arterial, analisaremos a permeabilidade, a expressão/funcionalidade dos constituintes da BHE e os mecanismos de transporte endotelial em um modelo de hipertensão secundária- a hipertensão renovascular 2 Rins-1 Clip.A importância deste projeto reside no fato de desconhecermos o papel desempenhado pela BHE na adequada perfusão do Sistema Nervoso Central, as consequências determinadas pela presença de lesão na hipertensão crônica, bem como podermos identificar uma conduta terapêutica para melhorar/reverter seus efeitos deletérios, com benefícios substanciais aos portadores de hipertensão. (AU)

Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre o auxílio:
Pós-doutorado em fisiologia cardiovascular com bolsa da FAPESP 
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