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Contribuição dos adipócitos da região perivascular na inflamação, em ratos com baixo peso ano nascer, induzido por restrição alimentar materna.

Resumo

Tem sido extensamente demonstrado que fatores ambientais adversos no período pré-natal causam modificações no padrão normal de crescimento e desenvolvimento do feto, levando a um fenótipo, na vida adulta, mais susceptível a doenças, como hipertensão, intolerância a glicose, resistência insulínica, hiperlipidemia, hiperinsulinemia e obesidade. De fato, a falha no suprimento materno-placental em satisfazer as necessidades nutricionais do feto acarreta uma série de adaptações fetais, e podem induzir mudanças permanentes na estrutura corpórea e no metabolismo. Embora estas adaptações sejam benéficas a curto prazo, as mudanças permanentes por elas causadas levam a doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta. Em trabalhos anteriores, nosso grupo demonstrou que a desnutrição intrauterina global acarretou, em ratos Wistar, hipocelularidade na medula óssea e no sangue periférico. Além disso, a redução na expressão de moléculas de adesão, de elementos na matriz extracelular e na geração de mediadores inflamatórios, causou redução na migração de leucócitos nestes animais. Também observamos aumento nos níveis de corticosterona basal e falha em aumentar os níveis de leptina após estímulo inflamatório. Desta forma, mudanças permanentes na regulação homeostática dos sistemas poderiam levar a um aumento no risco de doenças, especialmente quando estes são colocados sob estresse após o nascimento, em decorrência de fatores de risco adicionais, tais como envelhecimento e obesidade. Existe uma forte correlação positiva entre a quantidade de tecido adiposo e os níveis de leptina circulante, além disso, durante períodos de jejum ou restrição alimentar, a correlação entre os níveis de leptina e tecido adiposo aparentemente são perdidas. Observa-se uma relação entre a atividade do eixo HPA e os níveis de leptina circulantes, demonstrando que os prováveis efeitos da leptina no sistema imune sejam devido a um efeito direto e também indireto, modulado pelos níveis de glicocorticoides circulantes. O aumento ou diminuição da adiposidade corporal ocorre por alteração no balanço entre os processos de armazenamento e disponibilização de energia em forma de triacilglicerois (lipogênese e lipólise). Ainda, um desequilíbrio no turnover celular, balanço entre os fenômenos de adipogênese e apoptose pode ser correlacionado com ganho ou perda de massa gorda e estar ou não acompanhados de resistência à insulina e inflamação. Considerando que a restrição nutricional global (50%) realizada durante todo o período gestacional, assim como os fatores que regulam este processo em modelo de programação fetal relacionados à função do tecido adiposo são pouco explorados na literatura e que essa restrição alimentar pode promover aumento de adiposidade na prole adulta podendo se relacionar positivamente com inflamação, nos propomos a elucidar qual seria a contribuição dos adipócitos nesse modelo, contribuindo para uma maior compreensão do desenvolvimento de doenças crônicas como obesidade e diabetes em indivíduos que apresentam baixo peso ao nascer. (AU)

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