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O impacto da exposição materna à experiências adversas na infância sobre o neurodesenvolvimento do neonato

Processo: 18/22224-1
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de março de 2019 - 29 de fevereiro de 2020
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Psiquiatria
Proposta de Mobilidade: SPRINT - Projetos de pesquisa - Mobilidade
Pesquisador responsável:Andrea Parolin Jackowski
Beneficiário:Andrea Parolin Jackowski
Pesq. responsável no exterior: Cristiane Seixas Duarte
Instituição no exterior: Columbia University in the City of New York, Estados Unidos
Pesq. responsável no exterior: Jonathan Posner
Instituição no exterior: Columbia University in the City of New York, Estados Unidos
Instituição-sede: Escola Paulista de Medicina (EPM). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus São Paulo. São Paulo , SP, Brasil
Instituição parceira: Columbia University Medical Center
Vinculado ao auxílio:14/12559-5 - Transtorno de estresse pós-traumático e neuroprogressão: novas abordagens na compreensão do efeito da violência no funcionamento mental, AP.TEM
Assunto(s):Exposição materna  Violência contra a mulher  Relações materno-fetais  Desenvolvimento infantil  Recém-nascido  Neuroimagem  Cooperação internacional 

Resumo

A literatura tem demonstrado os efeitos deletérios das experiências adversas na infância no desenvolvimento de crianças e adolescentes, com consequências a longo prazo, que muitas vezes persistem na vida adulta, incluindo transtornos de humor, abuso de substâncias e transtornos de ansiedade. Em 2016, de acordo com o Office of the Administration for Children & Families, uma divisão do Departamento de Saúde e Serviços dos Estados Unidos, o número e a taxa de vítimas de maus-tratos na infância flutuaram durante os últimos 5 anos. A comparação do número nacional de vítimas em 2012 (656.000) com a estimativa nacional das vítimas em 2016 (676.000) mostra um aumento de 3,0%. Na América Latina, a prevalência de experiências adversas na infância entre crianças é uma preocupação significativa de saúde pública. As estatísticas regionais relatam que aproximadamente 6 milhões de crianças latino-americanas sofrem algum tipo de abuso e cerca de 80.000 morrem a cada ano devido ao abuso e negligência (UNICEF, 2014).Existem evidências na literatura que sugerem que o efeito deletério das experiências adversas na infância não se limita às mulheres vítimas de abuso, mas também pode ser transmitido aos seus filhos - nos quais já foram demonstrados alterações nos sistemas de estresse, alteraçMes comportamentais, como comportamentos internalizantes e externalizantes, dentre outros problemas de saúde, como obesidade, doenças cardiovasculares e metabólicas. Um mecanismo potencial para a transmissão intergeracional das experiências adversas maternas na infância para o feto é a comunicação materno-fetal através da placenta, que influencia o neurodesenvolvimento fetal. Estudos recentes tem avaliado os efeitos intergeracionais do trauma materno na infância sobre o neurodesenvolvimento infantil; no entanto, os estudos são limitados a países com alta renda per capita. Com esse projeto, propomos uma oportunidade única de colaboração entre os Estados Unidos (Columbia University) e o Brasil (UNIFESP) para avaliar a influência do trauma materno na infância sobre o neurodesenvolvimento infantil. Um estudo piloto foi realizado no Brasil (na Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP) em parceria com os Estados Unidos (Columbia University). Gestantes (média de idade: 24,4 anos, +/- 6,5 anos) foram recrutadas durante o terceiro trimestre da gravidez e completaram uma avaliação psiquiátrica abrangente, incluindo a versão brasileira validada do Childhood Trauma Questionnaire (CTQ). Foram avaliadas 20 gestantes que sofreram trauma na infância (trauma físico, emocional ou sexual), bem como 20 gestantes controles saudáveis, sem história de trauma na infância, pareadas por idade. Dessa amostra, 40 neonatos entre 2 e 4 semanas de idade (sendo que em 20 deles as mães foram vítimas de trauma na infância) foram submetidos a exames de Ressonância Magnética da crânio (estrutural e em estado basal de repouso), sem sedação e durante o sono, em um equipamento Phillips Achieva de 3T. Os resultados preliminares do estudo piloto demonstraram associações entre o trauma materno na infância e a conectividade funcional reduzida nos circuitos neurais relacionados à impulsividade em neonatos de 2 a 4 semanas de idade. Compreender como o trauma materno na infância altera o neurodesenvolvimento infantil pode ajudar a identificar estratégias para redução dos efeitos adversos intergeracionais do trauma. (AU)