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Encapsulamento de sementes com biopolímeros para o aumento da eficiência da semeadura direta em projetos de restauração florestal

Resumo

Para cumprir os compromissos internacionais de restauração assumidos pelo Governo Brasileiro e recuperar os 12,5 Mha previstos no Decreto nº 8.972/2017, será necessário reduzir os custos e melhorar a eficiência dos processos de revegetação. A semeadura direta tem se mostrado uma tecnologia aplicável a produtores rurais passível de contribuir para reduzir o déficit de restauração. Contudo as técnicas empregadas requerem grande quantidade de sementes devido ao baixo estabelecimento das espécies. O encapsulamento de sementes com uso de polímeros pode contribuir para o sucesso no estabelecimento das espécies via semeadura direta. O objetivo deste projeto é desenvolver tecnologias que gerem maior eficiência e aproveitamento de sementes florestais na semeadura direta visando reduzir os custos da restauração. Para isto se desenvolverá a geleificação de polímeros biodegradáveis pela técnica de reticulação hierarquizada como forma de prevenir condições ambientais adversas à germinação e estabelecimento de sementes florestais nativas. O ácido algínico (alginato de sódio) é uma excelente alternativa para revestimento de sementes, pois são polissacarídeos naturais extraídos de algas marinhas, que possibilitam a obtenção de pérolas ocas capazes de encapsular sementes em água ou em um meio nutritivo que favoreça a germinação da semente encapsulada. Estas pérolas podem ser projetadas para resistir no solo seco, em ambientes com baixa umidade relativa e absorver água quando irrigada (artificialmente) ou pela chuva (naturalmente) liberando a semente. Para os propósitos deste projeto, pretende-se melhorar o desempenho mecânico e funcional das pérolas de alginatos usando resíduo da agroindústria de vinhos e suco de uva (cascas e/ou sementes). Na macrorregião de Sorocaba, o município de São Roque é conhecido pela produção desta fruta. A maioria das indústrias que processam a uva no Brasil são vinícolas que consideram o bagaço da uva um subproduto. Estes resíduos agroindustriais podem ser fonte importante de polímeros para tais tratamentos em sementes. Este resíduo após secagem em condições controladas pode ser pulverizado e misturado ao polissacarídeo formando uma blenda que melhore a resistência mecânica e as propriedades químicas das pérolas que serão utilizadas na restauração via semeadura direta. Para isto serão testados polissacarídeos misturados com pó granulado de bagaço da uva (cascas e/ou sementes) para encapsular sementes destinadas à recuperação de áreas degradadas por meio da semeadura direta. Este processo inovador e ambientalmente amigável será comparado com o uso de polímeros semissintéticos derivados de celulose associados ou não com polímeros vinílicos, bem com pérolas de alginato sem uso do bagaço de uva. Tais tratamentos serão testados em laboratório e em prospecção em campo. Desta forma se pretende contribuir também para redução de perdas, agregação de valor, diversificação do processamento para obtenção de novos produtos e estabelecimento de parcerias. (AU)