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O trabalho em crise: flexibilidade e precariedadades

Processo: 19/05612-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de julho de 2019 - 30 de junho de 2020
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Outras Sociologias Específicas
Pesquisador responsável:Marcia de Paula Leite
Beneficiário:Marcia de Paula Leite
Instituição-sede: Faculdade de Educação (FE). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Flexibilização  Trabalho  Reforma trabalhista  Sociologia do trabalho 

Resumo

O livro consiste em uma coletânea elaborada a partir do Seminário: O trabalho contemporâneo: Crise e possibilidades, realizado nos dias 30/11 e 1/12 de 2017, no IFCH/Unicamp, no âmbito do projeto temático da Fapesp Contradições do Trabalho no Brasil Atual: Formalização, terceirização, precariedade e regulação. Pensado como atividade final do projeto, o seminário buscou dialogar com pesquisadores internacionais na perspectiva de aprofundar problemas de pesquisa, como os relacionados às reformas trabalhistas; às possibilidades do sindicalismo; às novas experiências do trabalho; e às perspectivas do mesmo. Os textos que compõem o livro propõem-se a recuperar a riqueza das discussões travadas e a contribuir para a compreensão da realidade complexa e cambiante que o trabalho vem enfrentando. Os textos de Luis Quintana, pesquisando o México, e Magda Biavaschi e Marilane de Oliveira, ao estudar o Brasil e Argentina, analisam as reformas trabalhistas no contexto de crise que o capitalismo tem vivenciado desde meados dos anos 1970, marcado pela busca constante de desregulamentação do trabalho. Debatendo o sindicalismo, José Ricardo Ramalho e José Dari Krein e Hugo Dias revelam as dificuldades dos sindicatos para lidar com as perdas que o trabalho tem enfrentado, em especial para propor estratégias de unificação que se anteponham à fragmentação que as reformas trabalhistas têm promovido.O tema das novas experiências de trabalho é abordado de modos diversos. Centrando sua atenção na gestão empresarial, Linhart analisa a mudança nas formas de subordinação e chama atenção para o processo de individualização em curso. Já Lima e Pires destacam o caráter inovador do trabalho em TI e a juventude dos trabalhadores, em sua maioria do sexo masculino, sublinhando que as formas de controle sobre o trabalho tendem a ser menos pautadas na vigilância direta e mais no estabelecimento de metas e resultados. Focando no mesmo setor, em Pernambuco, o estudo de Véras de Oliveira vem corroborar os achados de Lima e Pires: os trabalhadores de TI no Estado são jovens, especialmente do sexo masculino, mais escolarizados do que a força de trabalho em geral e auferem melhores rendimentos. Finalmente, Arakaki, Graña e Kennedy analisam as características do trabalho em microempresas na Argentina, evidenciando a mudança que ocorre com as mesmas desde as últimas décadas do século passado: a transformação de um tipo de microempresa que, diferentemente do que prevalece no resto da região latino-americana, não constituía um setor de subsistência, em atividades por conta-própria mais tipicamente características da composição do setor de microempresas em outros países, marcadas pelos baixos rendimentos e pela presença de trabalhadores pouco qualificados.Finalizando, o debate sobre o futuro do trabalho reúne quatro textos que, embora tratem de fenômenos diferentes, contribuem de maneira complementar para a compreensão das transformações do trabalho. Discutindo a questão do trabalho em cadeias globais de valor, Marcia Leite e Carlos Salas trazem à tona a questão da nova divisão internacional do trabalho e do tipo de trabalho que vem se concentrando no Brasil: atividades de pouco valor agregado, como a de montagem de componentes produzidos fora do país que ocorre no setor eletroeletrônico; manufatura de produtos do vestuário cada vez mais concebidos no exterior, como na confecção; ou a prestação de serviços pouco complexos como os desenvolvidos em call centers. Já Klaus Dorre analisa a precariedade do trabalho no Norte e no Sul, ao elucidar as implicações das transformações atuais do capitalismo sobre o trabalho. Finalmente Caroline Knowles discorre sobre o ressurgimento de uma ocupação que floresceu em casas vitorianas, mas desde então esteve em declínio, a de mordomo, que vem sendo crescentemente demandada em Londres; fruto do brutal processo de concentração de rendas, Londres agora vivencia uma demanda crescente de mordomos nos agregados familiares dos super-ricos (AU)