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Características clínicas e epidemiológicas da paracoccidioidomicose provocada por Paracoccidioides lutzii

Resumo

Introdução: O fungo Paracoccidioides lutzii foi recentemente incluído como uma nova espécie causadora da paracoccidioidomicose (PCM) e a maioria dos casos foram relatados no Brasil. De acordo com as informações epidemiológicas disponíveis, P. lutzii concentra-se na região Centro-Oeste do Brasil, principalmente no estado do Mato Grosso. No entanto, dados clínicos e laboratoriais disponíveis em pacientes infectados com P. lutzii permanecem extremamente limitados.Metodologia / Principais achados: Este trabalho descreve as manifestações clínicas de 34 pacientes portadores de PCM causada por P. lutzii, tratados ao longo de 5 anos (2011-2017) em um centro de atendimento de referência para micoses sistêmicas em Mato Grosso, Brasil. Trabalhadores rurais adultos (homens), com idades entre 28 e 67 anos, predominaram. Todos os pacientes apresentavam a forma crônica da doença, e a mucosa oral (n = 19; 55,9%), linfonodos (n = 23; 67,7%), pele (n = 16; 47,1%) e pulmão (n = 28; 82,4%) foram os locais mais afetados. O consumo de álcool (n = 19; 55,9%) e tabagismo (n = 29; 85,3%) foram hábitos freqüentes entre os pacientes. Nenhum paciente sofreu de qualquer outra doença com risco de vida, como tuberculose, câncer ou outras doenças parasitárias inflamatórias ou infecciosas. A positividade no exame de cultura (97,1%) foi superior à encontrada para o exame micológico direto (88,2%). Particularmente, um paciente apresentou fungemia ao diagnóstico, o que levou à sua morte. O tempo decorrido entre os sintomas iniciais e o início do tratamento da PCM causada por P. lutzii foi de 19,7 meses (31,5), com a maioria dos pacientes diagnosticados sete meses após o início dos sintomas.Conclusões / Significância: Comparado com o perfil clínico-epidemiológico clássico da PCM causada por P. brasiliensis, os resultados deste estudo descritivo não mostraram diferenças clínicas ou epidemiológicas significativas que pudessem ser atribuídas à espécie P. lutzii. Estudos futuros podem confirmar ou refutar a existência de diferenças clínicas entre as duas espécies de fungos. (AU)