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As experiências de estudantes indígenas nos cursos públicos de medicina no Brasil

Processo: 19/09426-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de outubro de 2019 - 30 de setembro de 2020
Área do conhecimento:Interdisciplinar
Pesquisador responsável:Eliana Goldfarb Cyrino
Beneficiário:Eliana Goldfarb Cyrino
Instituição-sede: Faculdade de Medicina (FMB). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Botucatu. Botucatu , SP, Brasil
Pesq. associados: Willian Fernandes Luna
Assunto(s):Ação afirmativa  Indígenas  Educação médica  Narrativa 

Resumo

A Medicina e a atuação profissional dos médicos vêm sofrendo transformações ao longo do tempo, refletindo as alterações da sociedade brasileira e no mundo. No século XIX, a Revolução Industrial e o avanço científico trouxeram à tona uma compreensão técnica e biologicista sobre a doença, o que culminou numa dispersão mundial de compartimentalização do indivíduo e intensa especialização do profissional. No Brasil, as graduações em Medicina seguiram esse caminho, e mesmo após diretrizes curriculares que solicitam o avanço em outras direções, as escolas médicas ainda contribuem pouco para atuação em contextos interétnicos e interculturais, como no caso da atuação em comunidades indígenas e com indígenas no meio urbano. Reflexo disso é o despreparo para lidar com especificidades que vão para além das questões que dizem respeito à recuperação estrito senso da saúde. Nesse contexto de questões interculturais, historicamente há pouco acesso para que os indígenas adentrem o ensino superior como universitários, não possibilitando a formação de profissionais de saúde - mais especificamente médicos - que sejam destas comunidades. Nos últimos anos, estratégias foram sendo criadas, algumas localmente e outras nacionalmente, para que o direito de acesso ao ensino superior fosse garantido aos indígenas, como programas de inclusão e de ações afirmativas, quando passou a haver um número um pouco maior de indígenas acessando a universidades públicas. A formação de indígenas nos cursos de Medicina pode favorecer a presença de profissionais nas localidades remotas, o que pode levar a uma melhora nos serviços de saúde, no entanto, ainda há uma grande demanda reprimida para ingresso nos cursos de Medicina. Desta forma, ainda há muitos caminhos a serem trilhados na busca pela formação de profissionais indígenas para atuação na saúde, que possam ser mais competentes para trabalhar com as necessidades das próprias comunidades, favorecendo a saúde em sua complexidade. Esta pesquisa tem como objetivo compreender as experiências de estudantes indígenas que cursam a graduação em Medicina em faculdades públicas, a partir de suas narrativas. Será buscado identificar os estudantes indígenas que cursam a graduação em Medicina nas diversas faculdades públicas no Brasil, nos anos de 2018 e 2019. Serão analisadas as vivências destes estudantes no processo de ingresso e permanência no curso, identificando potencialidades, fragilidades e superações. Também será analisado o encontro intercultural dos seus saberes tradicionais frente aos conhecimentos ofertados na graduação de Medicina, discutindo inclusive as perspectivas de atuação destes futuros profissionais de saúde. O campo da pesquisa são os estudantes indígenas dos cursos de Medicina de todo o país. Para a compreensão do campo optou-se por desenvolver uma pesquisa com abordagem qualitativa com utilização de questionário, entrevistas individuais, roda de conversa e diário de campo. Será realizada análise de conteúdo dos materiais, buscando-se inicialmente avaliar quanto à sua qualidade e suficiência. Posteriormente, para análise de conteúdo a partir da perspectiva qualitativa, serão realizados os procedimentos de categorização, inferência, descrição e interpretação. Espera-se como resultado contribuir para a compreensão sobre a presença destes indígenas nas escolas médicas públicas brasileiras, trazendo à tona as principais potencialidades, fragilidades e formas de superações que esses estudantes vivenciam. (AU)