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A conspiração da arte moderna

Processo: 18/26469-9
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no exterior
Vigência: 01 de outubro de 2019 - 30 de setembro de 2020
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Artes - Fundamentos e Crítica das Artes
Pesquisador responsável:Luiz Renato Martins
Beneficiário:Luiz Renato Martins
Instituição-sede: Escola de Comunicações e Artes (ECA). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):História da arte  Filosofia da arte  Construtivismo (arte moderna)  Expressionismo abstrato  Arte moderna  Revolução Francesa  Bonapartismo  Publicações de divulgação científica  Livros 

Resumo

O objetivo geral do livro consiste, em síntese, em precisar como a pintura - outrora paradigma de excelência artesanal - respondeu à abstração do trabalho ligada à modernização capitalista? Assim, a Parte I trata da formação da arte moderna via estudos de obras e situações precisamente circunscritas. O primeiro deles, cujo título também se estende à coletânea, examina a visão de Baudelaire acerca da arte moderna como épica antiburguesa e ainda o papel fundador atribuído ao romantismo revolucionário de David, por Baudelaire. Os quatro ensaios seguintes examinam obras de David, a serviço da república revolucionária. Especificam assim como o processo político-social propiciou a Baudelaire a elaboração da perspectiva fundamental da arte moderna. Daí a negatividade desta em face da modernização burguesa, bem como seu teor fragmentário e trágico, derivado das lutas populares. Os dois últimos ensaios sobre David apontam o ajuste de sua pintura republicana - originariamente rousseauísta - às práticas da negociação privada e da ambiguidade poética; ambas, coetâneas à ordem dos interesses privados, que era correlata, por sua vez, à hegemonia bonapartista e à afirmação econômica burguesa, após Termidor. O sexto ensaio demonstra os pontos cegos da crítica formalista quanto à pintura por Manet de temas históricos.A Parte II abrange dois estudos sobre a pintura de Manet, na contramão do II Império e das reformas haussmanianas. Um terceiro estudo examina a pintura de Cézanne, desenvolvida no bojo do processo de reestruturação das relações de trabalho após o massacre da Comuna de Paris. O último estudo específico ligado ao ciclo da arte de vanguarda focaliza o surgimento e o ocaso do construtivismo russo após a Revolução de Outubro. Em suma, todos os ensaios tratam de detalhar, em termos concretos, a mutação de práticas pictóricas; e nestas últimas, os modos de uso do pincel, em contraposição à reorganização da economia e do trabalho pela indústria.Os quatro ensaios da Parte III, que encerra o volume, buscam principalmente sintetizar e sistematizar, na contramão da crítica formalista, as linhas mestras da arte moderna, estabelecendo inflexões, momentos decisivos e alinhamentos históricos. Neste sentido, os estudos estabelecem o processo de construção e evolução da noção de realismo como fio condutor da arte moderna, segundo proposição do historiador G. C. Argan. A refutação da dicotomia entre representação e abstração - amplamente adotada na historiografia formalista da arte moderna - inclui o exame das construções abstratas do construtivismo russo, concebidas na dita "fase de laboratório", e também a análise do expressionismo abstrato, apesar de tido pela crítica formalista - de C. Greenberg - como o ápice da abstração e da forma estética autônoma. Assim, o expressionismo abstrato é distinguido não apenas como resposta à dualidade entre representação e abstração, mas em correlação dialética com o novo ciclo de dominação imperialista. Neste sentido, o exame do expressionismo abstrato revela vários elementos extrínsecos à esfera artística e próprios às pressões desencadeadas pela hipertrofia da economia norte-americana, levada a uma expansão inédita pelo esforço de guerra e das conquistas militares. Destaca-se, no bojo do surto econômico de superprodução projetado à dimensão planetária, a reconcepção objetiva por J. Pollock do trabalho da forma a partir de fatores quantitativos. Neste sentido, o projeto de M. Rothko de uma capela ecumênica e não religiosa, para a fundação Menil (Houston), também carreou o impulso coletivo original do expressionismo abstrato: superar a exaustão da "pintura de cavalete", levando a pintura norte-americana a exercer funções críticas situadas para além do campo já exangue da pintura do objeto único e sob moldura. (AU)