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Assinatura das mudanças do paleo-curso no Rio São Francisco como fonte de estrutura genética na perereca neotropicial Pithecopus nordestinus (Phyllomedusinae, Anura)

Processo: 19/15543-6
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Artigo
Vigência: 01 de setembro de 2019 - 29 de fevereiro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Genética - Genética Animal
Pesquisador responsável:Shirlei Maria Recco-Pimentel
Beneficiário:Shirlei Maria Recco-Pimentel
Instituição-sede: Instituto de Biologia (IB). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Assunto(s):Anura 

Resumo

Processos históricos que tem interrompido o fluxo gênico entre distintas linhagens evolutivas têm um papel fundamental na evolução da grande diversidade de espécies encontradas na região Neotropical. Vários estudos têm discutido o papel de barreiras geográficas e/ou de refúgios florestais do período do Pleistoceno na diversificação da biodiversidade dessa região. Nesse trabalho investigamos as contribuições de diferentes fatores na história evolutiva de Pithecopus nordestinus, uma espécie de perereca Neotropical com ampla distribuição no bioma Floresta Atlântica e áreas adjacentes na Caatinga. Foi utilizada uma extensiva amostragem de populações em uma abordagem multilocus de sequências de DNA para acessar a diversidade intraespecífica, padrões de diversificação histórica e quebras filogeográficas em P. nordestinus. Foram testados diferentes cenários de diversificação baseados na hipótese de Refúgio florestais do Pleistoceno e no modelo de rios como barreira, utilizando abordagens baseadas em testes de coalescência (Approximate Bayesian Computation - ABC) e modelagem de nicho ecológico (Ecological Niche Modeling - ENM). Os testes filogenéticos indicaram a ocorrência de processos de divergência filogeográfica no tempo e no espaço, relacionados com a mudança histórica no curso do Rio São Francisco (SF) durante o período Plio-Pleistoceno, resultando em dois clados altamente divergentes. Nossa modelagem recuperou forte suporte estatístico para esse cenário, confirmando a hipótese do Rio São Francisco atuando efetivamente como uma barreira geográfica ao fluxo gênico durante o evento vicariante ocorrido na história evolutiva de P. nordestinus. Os dados obtidos reforçam que as alterações climáticas que ocorreram durante o Pleistoceno tiveram um papel secundário na assinatura genética identificada, reforçando a divergência de populações isoladas pela barreira física. Esses achados reforçam as conclusões de que os dois modelos de diversificação (barreiras geográficas e refúgios de espécies) não são mutualmente exclusivos na região Neotropical, mas sim interagiram durante a diversificação das espécies em uma escala regional. (AU)