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O jovem Lukács. a autonomia da obra de arte

Processo: 19/14653-2
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de outubro de 2019 - 30 de setembro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Filosofia
Pesquisador responsável:Arlenice Almeida da Silva
Beneficiário:Arlenice Almeida da Silva
Instituição-sede: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH). Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Campus Guarulhos. Guarulhos , SP, Brasil
Assunto(s):Gêneros literários  Romance 

Resumo

O livro examina a primeira estética do filósofo György Lukács em um corpus formado por ensaios, cartas, diários, textos teóricos sistemáticos e manuscritos inacabados, publicados em húngaro e alemão, entre 1908-1918. Trata-se de uma abordagem filosófica sobre um material ainda parcialmente conhecido e interpretado no Brasil, por meio do qual se tem acesso à reflexão específica do filósofo sobre o fenômeno da arte e da cultura no início do século XX. Com efeito, a cultura, como problema histórico e crítico, constitui o centro do pensamento do jovem Lukács. Nele, o filósofo aproxima as estéticas do final do século XVIII da Lebensphilosophie e do neokantismo, do século XIX, circunscrevendo um campo teórico que lhe permite articular uma estética imanente e autônoma, que não é nem prescritiva, nem puramente especulativa: de um lado, como Hegel, o jovem Lukács opera com um modo histórico-filosófico de abordagem; de outro, dialoga com a metafísica para exacerbar ao máximo suas aporias; grosso modo, seu debate com o idealismo alemão e com o romantismo visa a uma crítica original ao racionalismo de matriz kantiana. Na primeira parte, concentrada na produção ensaística, busca-se demonstrar como, a partir de sua inserção na crítica de arte da vanguarda húngara, Lukács articula uma relação original entre crítica de arte, ensaio e filosofia da arte. O livro demonstra, assim, como o autor renova o gênero ensaio, operando com um modo de investigação que privilegia os impasses ou a cartografia dos dilemas que as formas artísticas exibem, de modo que a filosofia possa ser pensada como uma filosofia das formas. Nesta direção, examina-se como Lukács articula os gêneros literários com as expectativas da modernidade, haja vista que os gêneros são entendidos como modos de apresentação e de elaboração de paradoxos existenciais modernos. Começando pela Evolução histórica do drama moderno e concentrando-se em A alma e as formas e A teoria do romance, a primeira parte do livro acompanha o tratamento dado pelo autor às principais formas literárias - épico, lírico, drama, romance e ensaio -, buscando apreender nelas os problemas estéticos e teóricos intrínsecos a cada forma. Na segunda parte, o livro examina os manuscritos publicados postumamente Heidelberger Philosophie der Kunst (1912-1914) e Heidelberger Ästhetik (1916-1918). Nestas duas obras inacabadas são examinados os princípios empregados por Lukács para fundamentar a arte de um modo geral. Em Philosophie der Kunst constata-se que a pergunta pela especificidade da obra de arte ainda decorre da problemática kantiana, embora ela seja desdobrada ao modo fenomenológico a fim de propor uma investigação que almeja "dar voz ao objeto"; ou seja, Lukács adota um ponto de vista metodológico híbrido ao defender que uma estética só pode ser edificada sobre o fato da existência efetiva das obras de arte. Em 1916, na Heidelberger Ästhetik, Lukács apresenta novos resultados para a sua filosofia da arte, ao repropor outro debate com a estética kantiana, agora, via releitura neokantiana. Entre os temas examinados figuram os conceitos de beleza e de intuição intelectual, apresentados em um diálogo de grande envergadura que vai de Platão e Plotino à Hegel e Schelling, no qual o filósofo retoma o problema da forma transcendental e, especificamente, o do valor transcendental da obra de arte. A fundamentação de uma estética imanente e autônoma completa-se, por fim, com o capítulo sobre a historicidade da obra de arte no qual se examina como Lukács pensa a obra de arte como o devir atemporal de um momento determinado do tempo, haja vista que a obra de arte interrompe o continuum do tempo, instaurando uma "novidade", algo qualitativamente diferente. Uma temporalidade que não se explicita na ligação da obra com o sujeito produtor, mas na obra mesma, na sua inserção no desenrolar temporal irreversível da história e na relação que ela instaura com as outras formas. (AU)