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Melanoma do couro cabeludo: diferenças epidemiológicas, dermatoscópicas, histopatológicas e moleculares entre os melanomas localizados em área coberta por cabelo e os melanomas localizados em área exposta de pacientes calvos

Processo: 19/05098-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de dezembro de 2019 - 30 de novembro de 2021
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina
Pesquisador responsável:Juliana Casagrande Tavoloni Braga
Beneficiário:Juliana Casagrande Tavoloni Braga
Instituição-sede: A C Camargo Cancer Center. Fundação Antonio Prudente (FAP). São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados: Ana Carolina Souza Porto Mitsunaga ; Clóvis Antonio Lopes Pinto ; Dirce Maria Carraro ; Giovana Tardin Torrezan ; João Pedreira Duprat Neto ; Mariana Petaccia de Macêdo ; Rute Facchini Lellis ; Tatiana Cristina Moraes Pinto Blumetti
Assunto(s):Oncologia  Neoplasias cutâneas  Melanoma  Raios ultravioleta  Couro cabeludo  Mutação  Histopatologia  Dermoscopia  Técnicas e procedimentos diagnósticos 

Resumo

Os melanomas do couro cabeludo costumam ser diagnosticados mais espessos se comparados aos de outras regiões, com risco de óbito 2 vezes maior do que os tumores localizados em extremidades. As razões para esse pior prognóstico são incertas e discutidas na literatura. Uma das hipóteses seria que a cobertura pelo cabelo resultaria em diagnóstico mais tardio, visto que as lesões iniciais estariam ocultas; outra hipótese seria a alta proporção de melanomas com rápido crescimento vertical, como nodulares e desmoplásicos, subtipos associados ao dano solar crônico. O elevado fluxo sanguíneo e linfático e a dificuldade de se obter margens adequadas são outras hipóteses discutidas na literatura. O ponto chave para o prognóstico favorável do melanoma é o diagnóstico precoce, com subsequente excisão cirúrgica. A dermatoscopia aumenta a acurácia diagnóstica do melanoma em até 30%, comparada ao exame a olho nu. Os padrões dermatoscópicos do melanoma são afetados pela localização anatômica e pelo padrão de exposição solar. Apesar dos avanços em entender as características dermatoscópicas do melanoma em face e tronco, pouco é descrito sobre o padrão dermatoscópico do melanoma no couro cabeludo. É reconhecido que o melanoma é o câncer mais frequentemente mutado, com mutações predominantemente causadas pelo efeito mutagênico da radiação ultravioleta (UV). Há evidências crescentes de que os diferentes tipos de mutações determinam a morfologia e biologia do melanoma. O melanoma do couro cabeludo acomete especialmente pacientes calvos e a calvície propicia maior exposição do couro cabeludo aos raios solares. Melanomas localizados em pele com dano solar crônico apresentam menor frequência de mutações no gene BRAF, ao passo que mutações nos genes NF1, KIT e NRAS são mais observadas. Embora a classificação do melanoma em subtipos moleculares esteja em constante expansão e esteja revolucionando o tratamento da doença avançada, o perfil de mutações associadas a essa neoplasia no couro cabeludo não foi investigada e poderá elucidar o comportamento peculiar desse tumor e otimizar tratamento.Objetivos: Caracterizar o perfil mutacional nos genes BRAF, KIT, NF1 e NRAS em melanoma localizados no couro cabeludo e associar com as características dermatoscópicas e anatomopatológica dos tumores. Métodos: Estudo observacional, retrospectivo, transversal, de pacientes com diagnóstico histopatológico de melanoma de couro cabeludo entre janeiro 2008 e dezembro 2018, no A.C.Camargo Cancer Center. Os tumores com imagens no banco de dados de imagem do Núcleo de Câncer de Pele serão avaliados quanto às características dermatoscópicas especificas do melanoma e às de melanoma em pele com fotodano crônico. Para o grupo de pacientes com imagem dermatoscópica, será realizada revisão histopatológica, pesquisa das mutações nos genes BRAF, NRAS, KIT e NF1, quantificação da densidade capilar e graduação da elastose no local do tumor. Resultados esperados: 150 pacientes com melanoma de couro cabeludo e 50 com imagens dermatoscópicas. Espera-se padrão dermatoscópico e perfil mutacional do melanoma em áreas exposta em pacientes calvos similar ao de pele com fotodano crônico; e padrão dermatoscópico e perfil mutacional de melanoma em área cobertas por cabelo similar ao de melanoma intermitentemente exposto ao sol. Resultados parciais: 124 pacientes: 95 homens e 29 mulheres, idade média 61,9 anos, subtipo histológico extensivo superficial em 60,5% dos casos, espessura média de Breslow 2,57 mm. 36 pacientes com imagem dermatoscópica: 61.1% tumor em área coberta por cabelo e 38,9% tumor exposto em área de calvície. A calvície foi associada ao sexo masculino (p=0,013); idade avançada (p<0,001); critérios dermatoscópicos específicos de melanoma em pele com dano solar crônico (p<0,001); antecedente pessoal de câncer de pele não melanoma (p=0,03). A espessura média de Breslow foi 1,35 mm para melanomas em áreas cobertas e 0,62 mm para os de áreas expostas (p=0,2). (AU)