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Detecção de vírus em serpentes mantidas em cativeiro em plantéis do Instituto Butantan

Processo: 19/12303-4
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de novembro de 2019 - 31 de outubro de 2021
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Microbiologia - Microbiologia Aplicada
Pesquisador responsável:Viviane Fongaro Botosso
Beneficiário:Viviane Fongaro Botosso
Instituição-sede: Instituto Butantan. Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados: Carla Lilian de Agostini Utescher ; Danielle Bruna Leal de Oliveira ; Edison Luiz Durigon ; Kathleen Fernandes Grego ; Sávio Stefanini Sant Anna ; Selma Maria de Almeida Santos
Assunto(s):Serpentes  Mordeduras de serpentes  Antivenenos  Virologia  Doenças dos animais  Animais de cativeiro  Técnicas de diagnóstico animal  DNA complementar 

Resumo

A OMS incluiu os acidentes ofídicos na lista de doenças tropicais negligenciadas, que acometem, principalmente, a população rural e de baixa renda, com limitado acesso à educação e sistemas de saúde. A OMS estima que, anualmente, ocorrem cerca de 5 milhões de picadas de serpentes, resultando em até 2,7 milhões de envenenamentos, com 81.000 a 138.000 mortes e 400.000 amputações ou outro tipo de dano físico permanente por ano, apresentando, portanto, alta morbimortalidade. No Brasil foram relatados entre 2000 e 2017 mais de 470.000 casos de acidentes ofídicos, sendo o agravo incluído, a partir de 2010, na Lista de Notificação de Compulsória (LNC) do Brasil. Os acidentes mais comuns em nosso país são causados por serpentes dos gêneros: Bothrops; Crotalus; Lachesis e Micrurus. A forma mais eficiente de tratamento deste importante agravo é soro heterólogo antiveneno, sendo o Instituto Butantan (IBut) o principal produtor deste imunobiológico e o único produtor nacional contra acidente de Lachesis e do soro antielapídico. Visando a produção destes soros o IBut mantém estas serpentes em cativeiro para extração do veneno, sendo este considerado como a matéria prima inicial para a produção dos soros. Os venenos produzidos também são utilizados em várias linhas de pesquisa, incluindo, por exemplo, a toxinologia, fisiopatologia, imunologia além de estudos de bioprospecção de drogas. Além desta atividade o Instituto mantém outras serpentes utilizadas nas diferentes áreas de pesquisa e difusão cultural, incluindo aqui o programa de preservação da Jararaca-Ilhoa, espécie ameaçada de extinção no país. O manejo das serpentes desde a sua entrada nos biotérios prevê uma série de medidas profiláticas tentando evitar a entrada e disseminação de patógenos no plantel e, consequentemente, a saúde e bem estar dos animais, e melhor produtividade para obtenção dos venenos. Entretanto, todas estas medidas ainda não conseguem detectar ou mesmo prevenir a entrada de vírus, pois muitas vezes são necessários meses até que alterações clínicas causadas por estes organismos possam ser notadas. Sendo assim, o presente projeto visa a implantação de metodologia de detecção e identificação de vírus nas serpentes mantidas em cativeiro nos plantéis do Instituto Butantan, visando a otimização e melhora nos protocolos de manejo e conservação dos animais. Ressalta-se que esta área de pesquisa tem crescido muito na última década, inclusive com a descrição de novas espécies de vírus e que no Brasil estes estudos são muito raros. Amostras sanguíneas, 'swab' cloacal e traqueal, além de outras amostras clínicas colhidas durante procedimento cirúrgico pertinente, serão colhidas das serpentes de diferentes gêneros e espécies no período de quarentena, antes de serem incorporados aos plantéis, assim como dos animais do plantel que apresentarem sintomatologia clínica sugestiva de doença infecciosa viral (alteração respiratória e presença de massas viscerais ou subcutâneas). Além disso, os animais que forem a óbito sem diagnóstico clínico confirmado terão fragmentos de tecidos, como pulmão, glândula de veneno, fígado e cérebro amostrados para análise histopatológica e detecção da causa mortis. Os materiais serão submetidos a extração de material nucleico (DNA e RNA), seguido de obtenção de cDNA (quando necessário). A detecção dos vírus será realizada por PCR para as seguintes famílias: Astroviridae, Arenaviridae, Coronaviridae, Flaviviridae, Filoviridae, Paramyxoviridae, Caliciviridae, Adenoviridae, Herpesviridae e gêneros: Alphavirus, Lyssaviru, Hantavirus, Enterovirus, Phlebovirus, Nipahvirus, Influenzavirus, Orbivrus. Os amplicons serão submetidos à reação de sequenciamento pelo método de Sanger para confirmar e caracterizar os vírus detectados. Pretende-se ao fim deste projeto que esta metodologia esteja implantada de rotina propiciando a otimização no manejo e cuidados com os animais. (AU)