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O Brasil Desenvolvimentista (1946-1964) e a trajetória de Rômulo Almeida: ensaio de interpretação histórica

Processo: 19/23561-4
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de fevereiro de 2020 - 31 de janeiro de 2021
Área do conhecimento:Ciências Humanas - História - História do Brasil
Pesquisador responsável:Alexandre de Freitas Barbosa
Beneficiário:Alexandre de Freitas Barbosa
Instituição-sede: Instituto de Estudos Brasileiros (IEB). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):História do pensamento econômico  Nacionalismo  Desenvolvimentismo  História intelectual  Estado (política)  Desenvolvimento econômico  Brasil República  Industrialização  Classe social  Livros  Publicações de divulgação científica 

Resumo

O presente livro procura resgatar o pensamento sobre o desenvolvimento no Brasil, assim como a sua práxis. Traça como ponto de partida o perfil de uma elite de servidores públicos, que atuou em projetos estratégicos de infraestrutura econômica (Petrobras, BNDE, BNB, SUDENE, Eletrobras), mas também nas áreas de educação, cultura, desenvolvimento regional, reforma agrária, bem-estar social e política externa. Dois objetivos nortearam a pesquisa. Em primeiro lugar, situar a posição social que ocupavam estes "intelectuais orgânicos do Estado", tendo no centro da narrativa o economista baiano Rômulo Almeida, chefe da Assessoria Econômica de Vargas entre 1951 e 1954. Em segundo lugar, mostrar como estes intelectuais pensaram o desenvolvimento nacional, atuando por dentro do Estado e estabelecendo pontos de apoio junto à sociedade. Seu pensamento e atuação são contrapostos com os de outros intelectuais, com objetivo de mostrar as diferentes concepções e projetos para o desenvolvimento quando o termo adquiriu grande força cognitiva no Brasil. Portanto, a dinâmica do "Brasil Desenvolvimentista" é modulada pela história desse projeto-interpretação-utopia nacionalista - que apesar de predominante no período 1946-1964, jamais se mostrou hegemônico - e de sua relação contraditória com o desenvolvimento das forças produtivas e a correspondente transformação da estrutura social e de poder. Para realizar a mediação entre o personagem Rômulo Almeida e outros intelectuais e o seu tempo histórico, novos conceitos foram cunhados e outros ressignificados. O livro é resultado de dez anos de pesquisa, tendo contado com bolsa do IPEA entre 2011-2012 e bolsa produtividade do CNPq entre 2016-2019. Além de realizar um debate com a literatura teórica e historiográfica sobre o tema, a pesquisa se beneficiou do acesso a material inédito encontrado nos acervos do IRAE (Instituto Rômulo Almeida de Altos Estudos), do CPDOC-FGV e do IEB-USP e de um conjunto de 16 entrevistas realizadas pelo autor. A obra encontra-se dividida em 4 partes e 11 capítulos, além da introdução metodológica e do epílogo. Na primeira parte do livro, o foco recai sobre o período 1914 a 1950, acompanhando a trajetória do jovem Rômulo Almeida e as transformações históricas que se processam no período. A segunda parte se inicia quando Rômulo Almeida assume, em 1951, a chefia da Assessoria Econômica do segundo Governo Vargas. São apresentados os vários personagens que, com ele, contracenam dentro e fora da estrutura da máquina do Estado até o ocaso do Brasil Desenvolvimentista, em 1964, com destaque para as suas visões de mundo e espaços de socialização. Na terceira parte, os debates e embates em torno do desenvolvimento travados entre técnicos, economistas, sociólogos e intelectuais em geral são recuperados, com destaque para Celso Furtado, Ignácio Rangel, Caio Prado Júnior, Mário Pedrosa, Roberto Campos, San Tiago Dantas, Hélio Jaguaribe, Guerreiro Ramos, Florestan Fernandes, dentre outros. Paralelamente, as estruturas econômicas, sociais e políticas se entrosam e se conflitam com o mundo das ideias e projetos. Em vez de partir de uma abordagem teleológica da história, o livro procura recontar a história dos atores e de suas ideias em sintonia com as estruturas em transformação. Na quarta parte, Rômulo volta ao centro da cena. O objetivo é demonstrar como as dimensões internacional, social, regional e econômica do desenvolvimento se articulavam a partir do Estado, muitas vezes, com participação de outros agentes sociais. São apresentados alguns dos principais projetos e iniciativas protagonizados por Rômulo Almeida, durante o segundo governo Vargas (1951-154) e no governo da Bahia (1955-1961), para finalizar com a sua participação no processo de integração latino-americana no âmbito da ALALC e da OEA (1961-1966). (AU)