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CoPOlis - co-produção social da cidade e ciência cidadã. Uma perspectiva comparada sobre classe trabalhadora e bairros precários na França e no Brasil

Processo: 19/13365-3
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Temático
Vigência: 01 de abril de 2020 - 31 de março de 2024
Área do conhecimento:Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo
Convênio/Acordo: ANR
Pesquisador responsável:João Sette Whitaker Ferreira
Beneficiário:João Sette Whitaker Ferreira
Pesq. responsável no exterior: Agnès Deboulet
Instituição no exterior: Université Vincennes Saint-Denis (Paris 8), França
Instituição-sede: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Pesquisadores principais:Francisco de Assis Comarú
Pesq. associados:Caio Santo Amore de Carvalho ; José Eduardo Baravelli ; Karina Oliveira Leitão ; Mariana de Azevedo Barretto Fix ; Nadia Somekh
Bolsa(s) vinculada(s):19/04945-6 - 'Arqueologia' da influência de Paulo Freire no campo da urbanização de favelas: os casos de Recife (PE) e Diadema (SP), BP.MS
19/07801-5 - O canteiro de obras da habitação autoconstruída em São Paulo atual, BP.MS
Assunto(s):Planejamento territorial urbano  Bairros  Trabalhadores  Ciência cidadã  Participação social  Pesquisa-ação 

Resumo

As abordagens científicas, políticas e operacionais para a adaptação aos desafios do desenvolvimento sustentável nas cidades ocorrem, em grande parte, pelo prisma tecnológico. Em tempos em que, cada vez mais, a governança promove a participação do cidadão, experiências de planejamento participativo estão se multiplicando, em especial nos territórios urbanos precários, assim como práticas de co-produção urbana que reúnem sociedade civil, universidades, profissionais, muitas vezes apoiados por instituições públicas. Essas iniciativas trazem inovações sociais fundamentais para uma transição rumo à sustentabilidade, especialmente nos contextos mais desfavorecidos. Mais do que as tecnologias de produção da cidade, CoPolis enfatiza a importância das ferramentas de cooperação na adaptação ao desenvolvimento sustentável. No momento em que as comunidades urbanas nesses territórios dependem cada vez mais da necessidade de debate e serem ouvidas, para ganhar a capacidade de influenciar nas decisões públicas, as práticas colaborativas tornam possível ir além certas clivagens entre a sociedade civil, profissionais e, em certa medida, governos. São vetores de inovação social e democrática que exploram práticas alternativas visando reduzir as desigualdades sócio-espaciais. França e Brasil são países que têm uma longa história de cooperação e ações comunitárias em bairros populares ou precários onde residem as populações mais discriminadas. Este projeto explora o potencial da co-produção - entendendo-se a ação coletiva e interinstitucional, envolvendo a universidade como agente organizador e mediador - para adaptação das intervenções urbanas às questões de sustentabilidade em termos de redução de vulnerabilidades sociais e ambientais, construindo uma governança urbana democrática, de empoderamento de populações precárias e efeitos cognitivos da co-produção de conhecimento. O projeto compreende a avaliação crítica dessas práticas e as tensões e impasses dela decorrentes, em casos específicos de estudo, no Brasil e na França, entendendo seus impactos sobre a sociedade civil e o terceiro setor e a produção de "planejamento urbano. Esses aspectos são analisados pelo prisma da justiça social e espacial. O projeto coloca três questões de pesquisa principais: 1) a gênese e as condições de desenvolvimento de colaborações entre a sociedade civil organizada, os intervenientes intermediários e facilitadores; 2) as relações entre contextos político-institucionais e configurações de práticas colaborativas organizacionais; 3) a organização e circulação de conhecimento no âmbito dessas colaborações e o papel desempenhado pelos diferentes tipos de atores intermediários, em especial da universidade no âmbito da pesquisa-ação. Para este fim, o CoPolis conduzirá uma metodologia mista, combinando pesquisa qualitativa com mecanismos de pesquisa-ação participativa. Serão investigados oito casos franceses e brasileiros em diferentes contextos urbanos, que vão de grandes projetos urbanos a ocupações em áreas centrais. A pesquisa também será retrospectiva, com uma análise de práticas colaborativas de longo prazo em bairros desde a década de 1950, com base em dois bairros emblemáticos na França. Em relação à pesquisa-ação, a equipe trabalhará com parcerias já formadas junto a atores da sociedade civil e habitantes. O CoPolis é ao mesmo tempo pesquisa comparativa e participativa, ambas ancoradas em parcerias com atores intermediários e organizações da sociedade civil. Serão avaliadas as contribuições tangíveis das abordagens colaborativas em diferentes contextos sociais, econômicos, políticos e institucionais, destacando as principais condições que favorecem as práticas colaborativas. Os resultados esperados incluem a sistematização de configurações organizacionais e ferramentas de cooperação social para a co-produção social da cidade, assim como a difusão científica dessa reflexão. (AU)