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Onças pintadas (Panthera onca) do contínuo de Paranapiacaba: identificação individual, estimativa populacional e apropriação pela sociedade

Processo: 19/20525-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Programa BIOTA - Regular
Vigência: 01 de fevereiro de 2020 - 31 de janeiro de 2022
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Ecologia - Ecologia de Ecossistemas
Convênio/Acordo: Secretaria do Meio Ambiente - Fundação Florestal
Pesquisador responsável:Beatriz de Mello Beisiegel
Beneficiário:Beatriz de Mello Beisiegel
Instituição-sede: Unidade de Conservação Floresta Nacional de Capão Bonito. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO). Capão Bonito , SP, Brasil
Pesq. associados: Cristiano Trapé Trinca ; Francesca Belem Lopes Palmeira ; Mariana Bueno Landis
Assunto(s):Conservação biológica  Conservação da biodiversidade  Biodiversidade  Mata Atlântica  Panthera onca  Espécies em perigo de extinção  Grupos de população animal 

Resumo

A onça pintada (Panthera onca), o predador de topo nos neotrópicos, originalmente se distribuía ao longo de toda a América do Sul e Central, até o sudoeste da América do Norte, mas atualmente ocorre em apenas 54% de sua distribuição original. A espécie é classificada globalmente como Quase Ameaçada (NT) e no Brasil como Vulnerável à extinção (VU). Na Mata Atlântica, a onça pintada está Criticamente em perigo de extinção, por ter uma população de menos de 250 indivíduos adultos diminuindo continuamente devido à caça e às perdas de habitat, de qualidade de habitat e de base de presas. Existem apenas três sub-populações na Mata Atlântica com mais de 50 onças pintadas, e portanto com alguma possibilidade de sobrevivência a longo prazo, ou Jaguar Conservation Units (JCUs) do Tipo I: o Corredor Verde, o Alto Paraná-Paranapanema e a Serra do Mar. O Contínuo de Paranapiacaba, incluindo o PE Intervales, PE Carlos Botelho, PE Nascentes do Paranapanema, PETAR, EE Xitué e grandes florestas particulares vizinhas, é a área-núcleo para as onças pintadas desta última sub-população, com uma densidade de 0.29 - 1.17 indivíduos/100 km2; considerando uma área de floresta contínua de 2.000 a 3.000 km2, a população do Contínuo teria entre 6 e 35 indivíduos. Os dados que subsidiaram esta estimativa foram obtidos de 2009 a 2011. Desde então, eventos muito relevantes para a conservação da espécie ocorreram: boa parte do Contínuo de Paranapiacaba foi reocupada pelos queixadas, Tayassu pecari, uma das principais presas da onça pintada ao longo de toda a sua distribuição geográfica; por outro lado, onças conhecidas e outras de relevância para a população do Contínuo foram assassinadas por caçadores. O monitoramento fotográfico das onças pintadas iniciado em 2006 no Contínuo de Paranapiacaba tem possibilitado a inferência de histórias de vida e relações familiares entre as onças da área e revelado um grande potencial para a mobilização da sociedade a favor da conservação da espécie. Além disso, verificamos que as onças pintadas da região percorrem distâncias imensas em linha reta, de 50 a 90 km, e que o monitoramento permanente de alguns pontos-chave resulta em uma identificação individual de quase todos os animais da população, o que aponta para a possibilidade de dispersão de animais entre as JCUs da Serra do Mar e da Serra do Mar Norte e para a possibilidade de ampliação desta identificação individual para todas as onças pintadas da Serra do Mar e Serra do Mar Norte, dada a identificação dos pontos-chave em cada um dos núcleos do PESM e UCs da Serra do Mar. Essa identificação individual tem um grande potencial para a conservação da espécie, podendo auxiliar na urgente tarefa de promover a rejeição da caça de onças pintadas pela sociedade em geral e pelos moradores do entorno do Contínuo de Paranapiacaba em particular. Este projeto tem os objetivos de atualizar a estimativa da população de onças pintadas do Contínuo de Paranapiacaba, estabelecer o início do programa de identificação dos indivíduos de onças pintadas da Mata Atlântica costeira de São Paulo e levar ao conhecimento da sociedade, de forma ampla e por profissionais de comunicação, as onças pintadas do Contínuo de Paranapiacaba, como indivíduos com histórias de vida e relações familiares únicas, promovendo a sensação de familiaridade da sociedade para com a espécie e sua conservação.Na chamada FAPESP - SIMA - FF, este projeto se insere no Tema 10: Outras pesquisas que auxiliem a efetividade da gestão de Unidades de Conservação, em consonância com as Metas de Aichi. Dentre estas Metas, o projeto atende ao Objetivo Estratégico A: Tratar as verdadeiras causas da perda de biodiversidade internalizando o tema "biodiversidade" em todo o governo e sociedade; e Objetivo estratégico E: Aprimorar, ampliar a implementação por meio do planejamento participativo, gestão de conhecimento e capacitação. Dentro destes objetivos, o projeto inclui as Metas 1, 2 e 19. (AU)