Busca avançada
Ano de início
Entree

Atividade Antiestrogênica de Fração de Guajadial obtida a partir de Folhas de Goiaba (Psidium guajava L.)

Processo: 20/04250-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Artigo
Vigência: 01 de maio de 2020 - 31 de outubro de 2020
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Farmacologia - Farmacologia Geral
Pesquisador responsável:João Ernesto de Carvalho
Beneficiário:João Ernesto de Carvalho
Instituição-sede: Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF). Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Campinas , SP, Brasil
Vinculado à bolsa:19/11563-2 - Prospecção de metabólitos secundários com atividade anticâncer produzidos por fungos fitopatogênicos, BP.DD

Resumo

Atualmente cerca de 75% das drogas anticâncer são derivadas de produtos naturais, demonstrando o grande potencial destes produtos na pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento desse conjunto de doenças. Estudos anteriores, realizados no Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA - Unicamp), revelaram que os extratos e os princípios ativos obtidos da Psidium guajava L. apresentam potencial ação anticâncer tanto em cultura de células tumorais humanas quanto em modelos experimentais com animais de laboratório. O tratamento com a fração enriquecida com os princípios ativos (Guajadial e Psidial A) da espécie, por via intraperitoneal, resultou na inibição do crescimento dos tumores sólidos de Ehrlich em todas as doses utilizadas (10, 30 e 50 mg/kg). O aumento significativo do peso e do tamanho dos úteros dos animais tratados com a fração sugeriu uma possível ação hormonal dos princípios ativos, que foi então avaliada utilizando a técnica de docking molecular in silico. Tanto o Guajadial quanto o Psidial A apresentaram afinidade significativa a ambas as isoformas dos receptores de estrógeno (ER-± e ER-²), indicando, portanto, possível ação sobre os receptores hormonais. Neste contexto, este trabalho avaliou, tanto in vitro quanto in vivo, a atividade antiproliferativa e ação estrogênica/antiestrogênica do extrato bruto e frações obtidos a partir das folhas de P. guajava L.. Por meio de diversas técnicas cromatográficas, foram obtidas frações ativas das quais, as frações FB1c e FFINAL apresentaram atividade antiproliferativa in vitro, com seletividade para as linhagens tumorais humanas MCF-7 e MCF-7 BUS (TGI = 5,59 e 2,27 ¼g/mL, respectivamente), sugerindo desta forma, uma possível correlação entre a atividade antiproliferativa e ação hormonal. Esta correlação foi confirmada tanto nos testes de E-screen quanto nos testes in vivo que avaliam atividade uterotrófica, nos quais a fração FFINAL foi capaz de bloquear o efeito proliferativo do estradiol nas células MCF-7 BUS e no útero de ratas pré-púberes. Os modelos in vivo de tumor sólido de Ehrlich e Hollow fiber, empregando-se a via oral como rota de tratamento, confirmaram a atividade anticâncer das frações de P. guajava evidenciada através da atividade antiproliferativa in vitro. Os testes que avaliam os mecanismos de morte celular, por meio da citometria de fluxo, revelaram que as frações FB1c (5 e 10 ¼g/mL) e a FFINAL (2,5 ¼g/mL), após 24 horas de tratamento, foram capazes de induzir a externalização dos resíduos de fosfatidilserina nas membranas citoplasmáticas das células MCF-7 e MCF-7 BUS, sugerindo desta forma, uma morte por meio do processo de apoptose. Comparativamente à ação do tamoxifeno sobre o ciclo celular,o tratamento com a fração FFINAL sobre as células MCF-7 BUS provocou a parada do ciclocelular na fase G1, em todos os tempos avaliados (24, 30 e 48 horas). Por fim, não foi possível evidenciar o efeito anticâncer do extrato das folhas de P. guajava no modelo de carcinogênese induzida quimicamente pelo composto 1- metil,1-nitrosoureia (MNU) porque este modelo apresentou uma baixa taxa de indução de tumores de mama após 120 dias da administração do carcinógeno. (AU)