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Avaliação da vulnerabilidade e adaptação às mudanças climáticas nas áreas protegidas do Brasil

Resumo

O Brasil abriga a maior extensão de ecossistemas tropicais dentro de áreas protegidas (AP), que protegem a biodiversidade e sustentam populações humanas tradicionais. Avaliamos aqui a vulnerabilidade às mudanças climáticas de 993 AP brasileiras terrestres e costeiro-marinhas a partir da combinação de indicadores de risco de mudanças climáticas com indicadores de resiliência de AP (tamanho, cobertura de vegetação nativa e probabilidade de transição da vegetação em decorrência das mudanças climáticas). Esta combinação de indicadores permite a identificação de grandes rotas para a adaptação às mudanças climáticas. Dezessete P (20.611 km2) foram identificadas como sendo altamente vulneráveis e se localizaram principalmente na Mata Atlântica (7 AP), no Cerrado (6) e na Amazônia (4). Duzentos e cinquenta e oito AP (756.569 km2), localizadas principalmente na Amazônia tiveram vulnerabilidade média. Na Amazônia e no oeste do Cerrado as severas mudanças climáticas projetadas e a probabilidade de transição de vegetação causada pelo clima fizeram com que a vulnerabilidade fosse alta nessas regiões, apesar do estado de conservação geralmente bom dessas AP. Mais de 80% das AP com alta ou média vulnerabilidade são manejadas por populações indígenas. Desse modo, além dos riscos potenciais para a biodiversidade, há também ameaças para o conhecimento tradicional e para as formas de vida das pessoas que habitam essas AP. Em pelo menos 870 AP, sobretudo na Mata Atlântica e na Amazônia, a adaptação poderia se dar com pouca ou nenhuma intervenção por conta do baixo risco climática, alta resiliência, ou ambos. Pelo menos 20 AP na Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia deveriam ser objeto de intervenções mais severas (e.g. melhoria da conectividade ecológica), dado seu status de baixa resiliência. Embora seja uma primeira tentativa de vincular vulnerabilidade e adaptação em AP brasileiras, sugerimos que algumas das AP identificadas como alta ou moderadamente vulneráveis devem ser priorizadas para se testar possíveis estratégias de adaptação em um futuro próximo. (AU)

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