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Efeito do consumo crônico de etanol sobre a ação modulatória do tecido adiposo perivascular: papel da angiotensina II

Processo: 19/25189-5
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de setembro de 2020 - 31 de agosto de 2022
Área do conhecimento:Ciências Biológicas - Farmacologia - Farmacologia Cardiorenal
Pesquisador responsável:Carlos Renato Tirapelli
Beneficiário:Carlos Renato Tirapelli
Instituição-sede: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP). Universidade de São Paulo (USP). Ribeirão Preto , SP, Brasil
Assunto(s):Alcoolismo  Doenças cardiovasculares  Hipertensão  Tecido adiposo perivascular  Espécies de oxigênio reativas  Óxido nítrico  Sistema renina-angiotensina  Angiotensina II 

Resumo

O consumo crônico de etanol acarreta alterações significativas da função vascular, figurando como um importante fator de risco no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como por exemplo, a hipertensão arterial. Entre os mecanismos propostos para explicar a hipertensão arterial associada ao consumo de etanol destacam-se: 1) alterações na contratilidade vascular onde o consumo de etanol induz disfunção endotelial e aumento da contração vascular; 2) alterações neuro-humorais onde o consumo de etanol promove ativação do sistema renina-angiotensina (SRA). De fato, foi demonstrado que o SRA participa do aumento da pressão arterial e da disfunção vascular induzida pelo etanol evidenciando assim a existência de uma relação entre o mecanismo neuro-humoral e miogênico que poderia explicar a hipertensão arterial associada ao consumo de etanol. O tecido adiposo perivascular (Perivascular Adipose Tissue - PVAT) possui propriedades secretórias e agindo de maneira autócrina, parácrina ou endócrina libera substâncias vasoativas (vasorelaxantes e vasocontráteis) que participam da regulação do tônus vascular. Algumas situações fisiopatológicas, como a hipertensão arterial podem induzir um processo inflamatório no PVAT. Como consequência há perda de sua ação anti-contrátil que é resultado do aumento da produção de fatores de contração e redução da biodisponibilidade de fatores de relaxamento. A inflamação vascular característica da hipertensão arterial é iniciada no PVAT, sendo a angiotensina II (ANGII) importante mediadora dessa resposta. A ANGII regula a infiltração de linfócitos T e macrófagos (M1 e M2) no PVAT além de mediar a produção de espécies reativas de oxigênio (ERO) e expressão de iNOS nesse tecido. Em condições fisiológicas, o PVAT apresenta efeito protetor e benéfico na regulação do tônus vascular, porém em situações não fisiológicas pode ocorrer modificação do fenótipo anti-contrátil desse tecido que passa a promover disfunção vascular/endotelial, sendo esse processo dependente do tempo. Nesse contexto, quanto maior o tempo de exposição à condição de risco cardiovascular, maior a possibilidade de perda da ação anti-contrátil do PVAT. No entanto, não há estudos que descrevam o impacto do consumo crônico de etanol sobre a ação modulatória exercida pelo PVAT no tônus vascular. Uma vez que o PVAT possui importante participação na regulação da função vascular, o presente projeto foi delineado de forma a investigar as consequências do consumo de etanol sobre a ação modulatória que o PVAT exerce sobre o tônus vascular. Uma vez que a alteração de fenótipo do PVAT é dependente do tempo e que sofre a influência de diferentes mediadores, como a ANGII, propomos também investigar o efeito do consumo de etanol em diferentes momentos (pré-hipertensão e durante a hipertensão) avaliando a possível participação da ANGII na alteração da funcionalidade do PVAT. A hipótese do estudo é a de que a ANGII, via receptores AT1, irá estimular o recrutamento de células inflamatórias que promoverão prejuízo no efeito anti-contrátil do PVAT por mecanismos associados à produção de citocinas pró-inflamatórias, liberação de adipocinas e produção de ERO. (AU)