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História social do português brasileiro

Processo: 19/25542-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Vigência: 01 de abril de 2020 - 31 de março de 2021
Área do conhecimento:Linguística, Letras e Artes - Letras - Língua Portuguesa
Pesquisador responsável:Marilza de Oliveira
Beneficiário:Marilza de Oliveira
Instituição-sede: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Assunto(s):História social  Português do Brasil  Linguística histórica 

Resumo

História social do português brasileiro (PB) prioriza a experiência do homem comum "e os processos de diferenciação e individuação dos comportamentos e identidades coletivos - sociais - na explicação histórica. Na Introdução e no capítulo 1 lê-se o PB como novo dialeto formado na América no final do século XV a partir do deslocamento de colonos portugueses e do contato entre diferentes dialetos da língua portuguesa que, após um período de acomodação, sofreu um processo de mistura dialetal e nivelamento. A partir dessa perspectiva, buscou-se adotar um formato em que inicialmente é identificado um fenômeno linguístico em mudança, em uma área geográfica específica, num período de tempo claramente definido, contextualizado política e socialmente. Dentro dessa chave de leitura, o capítulo 1 analisa fatos linguísticos do dialeto açoriano se mostram presentes no dialeto caipira e traz dados demográficos que justificam suas afinidades linguísticas dentro da proposta de contato linguístico. O capítulo 2 trata de comportamentos linguísticos de africanos e afrodescentes no Brasil do século XIX. O capítulo 3 mostra que as discussões sobre a padronização linguística em jornais recifenses (1950-1960) reverberam conflitos entre representantes da tradição rural e representantes do nacionalismo desenvolvimentista. O capítulo 4 investiga o dialeto de um grupo social - os judeus - e mostra a sua importância na escrita de documentos públicos. O capítulo 5 faz leitura holística dos anúncios publicitários do início do século XX e mostra que o pronome podia codificar tanto traços de pessoalidade quanto de impessoalidade, gerando diferentes interpretações do anúncio. O capítulo 6 interpreta a alta frequência da ordem sentencial VS em textos produzidos na Escola Normal nas duas primeiras décadas de sua formação pelo perfil bacharelesco dos diretores e professores. O capítulo 7 mostra que a elite paulistana do início do século XX, não obstante a entrada maciça de imigrantes europeus, cujas línguas têm o traço de sujeito nulo, deu continuidade ao processo de realização pronominal que estava em andamento no seu próprio dialeto. O capítulo 8 aponta alta frequência da ênclise nas orações infinitivas preposicionadas em amostra de discursos parlamentares do século XIX. A falta de condicionamento linguístico revela não apenas uma desvinculação entre português culto do Brasil e aquele usado em Portugal, mas também a sua adoção como marcador de diferença de posição política. O último capítulo problematiza a correlação entre espaço e variação linguística. Os autores sugerem que, ao tomar-se como ponto de partida uma configuração político-administrativa, reiteram-se ou se reforçam interesses que levam a uma interpretação convencional, a qual deixa escapar leituras mais condizentes com os objetos investigados, isto é, leituras capazes de evidenciar correlações entre o fenômeno linguístico e mudanças político-sociais operadas naquele espaço, no decorrer do tempo. Um ponto em comum entre os capítulos é a tentativa de sustentar que escolhas entre opções linguísticas espelham conflitos entre grupos sociopolíticos. Os grupos representados nas discussões são os madeirenses e açorianos nos períodos iniciais de povoamento do Brasil, os africanos, representação na literatura; as pessoas da zona rural ao chegarem a centros urbanos; os judeus, cuja presença contribuiu na formação do Brasil; a elite paulistana, em suas manifestações no século XIX; os novos redatores, que se manifestaram em jornais do século XIX e, finalmente, o enfoque desses grupos na discussão dos conflitos sociais subjacentes às isoglossas geolinguísticas. Um ponto em comum entre os capítulos é a tentativa de sustentar que escolhas entre opções linguísticas espelham conflitos entre grupos sociopolíticos. (AU)