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Caracterização neuroanatômica e funcional da sinalização purinérgica em núcleos hipotalâmicos envolvidos no controle de fluidos corpóreos e hipertensão neurogênica decorrente da alta ingestão de sal

Resumo

A alta ingestão de sal promove um aumento na osmolaridade plasmática, ativando diferentes núcleos encefálicos que são susceptíveis a mudanças na neurotransmissão por altos níveis de sódio, levando a um aumento da atividade nervosa simpática (ANS) e consequentemente aumento da pressão arterial (PA), um quadro denominado de hipertensão neurogênica. Dentre os núcleos hipotalâmicos envolvidos destacam-se os órgãos circunventriculares (OCVs): órgão subfornicial (SFO) e o órgão vascular da lâmina terminal (OVLT) que por não possuírem barreira hemato-encefálica, funcionam como sensores de sódio e osmolaridade no cérebro, enviando projeções excitatórias para o núcleo paraventricular do hipotálamo (PVN) que é um importante centro integrativo de regulação neuroendócrina e autonômica. Nos últimos anos, nosso laboratório publicou uma série de trabalhos demonstrando que o trifosfato de adenosina (ATP) aumenta a atividade dos neurônios do PVN e acarreta aumento da ANS por meio da ativação de receptores purinérgicos, do subtipo P2, e também de uma co-transmissão com vias glutamatérgicas. Em estudos mais recentes demonstramos que um estímulo osmótico com solução hipertônica de NaCl ou solução de manitol i.v. produziu intensa ativação dos neurônios do PVN (expressão da proteína FOS), os quais também co-expressaram receptores purinérgicos do tipo P2X2. Em conjunto, esses dados sugerem que a resposta pressora e simpatoexcitatória está relacionada à ativação de mecanismos purino-glutamatérgicos em neurônios pré-simpáticos do PVN, contudo pouco se sabe sobre a origem dessa purina nessa complexa rede neuronal hipotalâmica. Dessa forma, o objetivo desse projeto é avaliar se a hipertensão induzida por sobrecarga de sal é de origem neurogênica e dependente de uma sinalização purinérgica entre os órgão circumventriculares (SFO e OVLT) e o núcleo paraventricular do hipotálamo, ou seria também decorrente de alteração no conteúdo os fluídos corpóreos, essencialmente de volemia nesse modelo animal de hipertensão sal-dependente. Para isso utilizaremos ratos Wistar machos, divididos em dois grupos: 1) hipertensão induzido por sobrecarga de sal expostos a solução de NaCl 2% por 4 dias (grupo HS), e 2) animais normohidratados (Grupo Cont). Os protocolos experimentais propostos são: 1) volume circulante e hematócrito, por avaliação espectrofotométrica do corante Azul de Evans; 2) conteúdo de ATP no PVN por ensaio enzimático; 3) liberação em tempo real de ATP, adenosina, glutamato e lactato no PVN, OVLT e SFO, em resposta à um desafio hiperosmótico, utilizando biossensores; 4) caracterização das projeções e fenótipos neuronais entre OVLT/SFO-PVN, utilizando técnicas de tracejamento neuronal por imuno-histoquímica; 5) identificação de biomarcadores de RNAm para ATP e glutamato por técnica de RNAscope e por último 6) avaliar a participação da sinalização purinérgica entre SFO/OVLT e PVN decorrente de estímulos osmóticos e seus efeitos na PA e ANS. (AU)