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Práticas inclusivas II: desafios para o aprendizado do aluno-sujeito

Resumo

Os textos apresentados neste livro são fruto de um ano de trabalho, discussão e sistematização de um grupo de escolas de São Paulo, em conjunto com pesquisadores, teóricos e práticos das áreas da educação e da psicanálise, coordenados pela equipe do Lugar de Vida. Trata-se da segunda edição do Projeto Escolas Protagonistas: acolhendo o aluno sujeito, cuja primeira edição culminou, em 2017, no livro Práticas Inclusivas em escolas transformadoras: acolhendo o aluno-sujeito (processo FAPESP n. 2016/22717-2). Este livro é fruto de uma escrita coletiva. No cotidiano dos encontros do Projeto, à medida que os professores apresentavam suas experiências com alguns alunos, o Lugar de Vida se dedicava a entremear nesta experiência os fios de alguns operadores conceituais psicanalíticos, oferecendo a costura para dar corpo a essa experiência e para torná-la transmissível. Cada aluno era relatado no grupo duas vezes, com um intervalo de 6 meses, e todos acompanhavam e podiam ver o progresso daquele aluno, daquela professora, daquela classe e da equipe escolar. Por duas vezes, todo o grupo de escolas se encontrou em dois workshops, reunindo todo o material produzido até ali e produzindo finalmente um trabalho coletivo de grande envergadura. Optou-se por definir autores responsáveis pelas escritas dos capítulos, mas o leitor deverá ter em mente, principalmente na parte I do livro, composta pelos quatro capítulos iniciais, que deles participaram todos os envolvidos no Projeto Escolas Protagonistas II. Discutem-se neste livro as grandes linhas norteadoras da Aprendizagem Terapêutica. Essa proposta é um avanço do eixo de trabalho já estabelecido do Lugar de Vida, ou seja, uma novo passo para ampliar a Educação Terapêutica. São expostos os primeiros pressupostos e os fundamentos (porque outros poderão ainda surgir em trabalhos futuros) da aprendizagem terapêutica. Em continuidade com essa apresentação, focaliza-se em seguida o professor que se implica no desafio de reconstruir seu fazer pedagógico à medida em que se confronta com seu aluno. Essa discussão destaca, nesses casos, que a mola propulsora é o saber-não-sabido do ato educativo que "vale mais" do que qualquer curso oferecido no "mercado". Ainda na parte I, para dar apoio à concepção do Lugar de Vida a respeito de quem são as crianças com Entraves Estruturais na Constituição Psíquica - EE, apresentam-se ao leitor os eixos teóricos que podem orientar o professor para um acompanhamento da constituição psíquica do seu aluno, destacando os principais entraves nesta constituição, como o autismo, a depressão, as falhas na simbolização e a relação da constituição psíquica com as síndromes e deficiências. A aposta é que esses eixos de leitura oriundos da psicanálise possam ajudar o professor a propor estratégias educativas subjetivantes. Apontam-se também os recursos pedagógicos dessas equipes das escolas participantes do projeto, que surgiram dos encontros dos professores com os modos de aprender inusitados dos seus alunos e que podem servir de inspiração para outras equipes escolares. Na parte II, a função do semelhante ganha neste livro grande destaque. Em seguida, destaca-se, na parte III que para o trabalho com crianças em situação de inclusão, são parceiros privilegiados da escola os pais e os especialistas clínicos. Por isso, este livro se debruça sobre a delicada trama que entrelaça a criança-filho-aluno-paciente. Outros desafios são ainda abordados: o enfrentamento da tensão entre clínica e escola, entre saberes médicos e psicanalíticos, entre diagnósticos fechados e diagnósticos educacionais, as estratégias de parceria família-escola-especialistas, as transformações estruturais nas escolas e nos currículos para abarcar as idiossincrasias dos alunos, novos lugares e funções nas equipes escolares. Nosso desejo é o de que a noção de sujeito, que atravessa este livro por inteiro, venha a fazer diferença na vida das crianças com Entraves Estruturais. (AU)