Resumo
O período que encompassa o final do Pleistoceno e o início do Holoceno é caracterizado por mudanças muito importantes na história humana. No Levante (Oriente Médio), por exemplo, ocorre a transição das sociedades forrageadoras nômades para assentamentos permanentes tal como identificado na Cultura Natufiana. Essa mudança pode ter sido o gatilho para o início da agricultura no período subseqüente. Na América do Sul e especificamente no Brasil central, o Pleistoceno final e o Holoceno médio são associados com a extinção da megafauna e uma mudança fundamental também no estilo de vida dos humanos. Os últimos, de fato, mudam de ocupantes de cavernas para o que parece ser um padrão mais nômade de mobilidade. O presente projeto terá como foco o final do Pleistoceno e o Holoceno médio no Brasil central, tentando responder a algumas das principais questões cronológicas para o entendimento da ocupação humana e sua interação com o meio ambiente durante esses dois períodos.O Brasil central registrou aproximadamente 12.500 anos de ocupação humana não contínua em cavidades e locais ao ar livre. Para as ocupações do Holoceno inicial a tecnologia lítica, a zooarqueologia, os marcadores osteológicos e as análises multi-isotópicas indicam grupos forrageadores generalistas e baixa mobilidade. Em particular, não há evidência contundente de que a megafauna fazia parte da subsistência como item sistemático. Este modo de vida, também conhecido como Arcaico, esteve presente na maior parte da América do Sul por vários milênios e é razoavelmente bem documentado e estudado. No entanto, os períodos imediatamente anteriores (isto é, o Pleistoceno final) e imediatamente posterior (isto é, o Holoceno médio) ainda são pouco compreendidos no Brasil. A cronologia absoluta desses importantes eventos para a arqueologia brasileira ainda é precária devido à ausência de contextos arqueológicos bem datados desses períodos.Dentro da colaboração entre o Centro Kimmel de Ciência Arqueológica (Instituto Weizmann) e a Universidade de São Paulo, tanto através do Museu de Arqueologia e Etnologia como do Instituto de Geociências, gostaríamos de construir um esquema cronológico refinado com base em datação por radiocarbono para material ósseo e pigmentos. Além disso, vamos também utilizar o método U/Th para datar a crosta da calcita que recobre as pinturas rupestres. Juntamente com isso, gostaríamos de aplicar pela primeira vez a análise proteômica - um método que está sendo desenvolvido no Instituto Weizmann - no esmalte do dente de megafauna para determinar o sexo desses animais extintos.Se bem-sucedidos nesta colaboração de 2 anos, os resultados serão a base para um projeto de pesquisa maior que incluiria muitos colaboradores e regiões geográficas maiores, possivelmente estendidos a todo o registro arqueológico da América do Sul. (AU)
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