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Desenvolvimento de uma vacina inédita contra Febre Amarela composta de um vírus inativado em associação com um peptídeo da proteína não estrutural NS3 e avaliação de sua capacidade imunogênica.

Resumo

A febre amarela é uma arbovirose (vírus transmitido por artrópodes) causada pelo vírus da febre amarela (YFV), vírus pertencente à família Flaviviridae, gênero Flavivirus, sendo considerado o protótipo desta família viral. O YFV possui dois ciclos de transmissão, o ciclo urbano e silvestre, dependendo do vetor responsável pela transmissão viral. Assim como outros flavivírus, o YFV tem seu genoma constituído de uma fita simples de RNA de sentido positivo, que codifica uma poliproteína que é clivada em 10 proteínas, 3 estruturais e 7 não estruturais que, dependendo da proteína, albergam epítopos importantes para a resposta imunológica humoral e celular. A forma mais grave doença é marcada pela insuficiência dos múltiplos órgãos, com predomínio da insuficiência hepática e renal, embora os sistemas nervoso, cardiopulmonar e digestivo também sejam acometidos, este último com sangramento de grandes proporções, o que resulta no "vômito negro". As manifestações clínicas menos graves da febre amarela são, independente do ciclo de transmissão, aquelas comuns a outras infecções por flavivírus, isto é, febre, mialgia, cefaleia, dor retroorbital, etc. Diferentemente das outras infecções por flavivírus, para a prevenção das infecções pelo YFV tem-se a vacina de vírus vivo atenuado (17D/17DD), desenvolvida em meados da década de 30 (século passado) e considerada, na atualidade, uma das vacinas mais imunogênicas disponíveis para prevenção de doenças, porém também é uma das mais reatogênicas. Assim, em raros casos, a imunização com esta vacina pode causar efeitos adversos muito graves, como o desenvolvimento de doença viscerotrópica ou neurológica que, em uma grande porcentagem dos casos, pode levar ao óbito. Apesar disso, ainda é a principal estratégia disponível para a proteção contra febre amarela e, devido às recentes epidemias de febre amarela silvestre, o Ministério da Saúde do Brasil recomenda que a vacinação contra a febre amarela deva ser implementada em todas as regiões do país. Entretanto, a segurança do uso da vacina de vírus atenuado contra a febre amarela em indivíduos imunocomprometidos é questionável já que, em determinadas situações, podem ocorrer importantes efeitos adversos pós-vacinação. O uso de vacinas de vírus inativado é uma forma de imunização segura para esse grupo de indivíduos e elas podem ser usadas em situações de epidemias quando a ocorrência de graves efeitos adversos pode ser mais frequente devido à vacinação em massa. Entretanto, estas vacinas geralmente são menos imunogênicas do que as vacinas de vírus vivo atenuado, pois induzem preferencialmente a resposta imune humoral. Neste projeto, será produzida uma vacina de vírus inativado a partir de uma cepa silvática de YFV isolado em nosso laboratório e sua capacidade imunogênica e reatogênica será avaliada em camundongos A129, seja na sua forma pura [inativada (iYFV)] ou em associação com um peptídeo da proteína NS3 (iYFV+NS3Hel), para também induzir a resposta imune celular. Todos os resultados obtidos com a vacina inativada (iYFV com adjuvante ou não), vacina inativada associada a NS3 (iYFV+NS3Hel) serão comparados com aqueles obtidos com a clássica vacina de vírus vivo atenuado (17DD). Dependendo dos resultados aqui, obtidos após imunização de camundongos A129, esta vacina combinada (iYFV+NS3Hel) poderá ser testada em primatas não humanos e, eventualmente, em seres humanos. (AU)