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Identificação e caracterização de casos agudos de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV-1)

Processo: 18/14384-9
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Pesquisa em Políticas Públicas
Vigência: 01 de abril de 2020 - 31 de março de 2022
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Clínica Médica
Pesquisador responsável:Luís Fernando de Macedo Brígido
Beneficiário:Luís Fernando de Macedo Brígido
Instituição-sede: Instituto Adolfo Lutz (IAL). Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD). Secretaria da Saúde (São Paulo - Estado). São Paulo , SP, Brasil
Pesq. associados: Alvaro Furtado Costa ; Elaine Monteiro Matsuda ; Ivana Barros de Campos ; Leda Fátima Jamal ; Mariza Vono Tancredi ; Roberta Schiavon Nogueira
Vinculado ao auxílio:17/50333-7 - Plano de desenvolvimento institucional em pesquisa do Instituto Adolfo Lutz (PDIp), AP.PDIP
Assunto(s):Infectologia  Imunologia  Diversidade genética  Infecções por HIV  Antirretrovirais  AIDS  HIV 

Resumo

O tratamento universal do HIV com antirretrovirais e novas modalidades de prevenção estão entre as principais estratégias para o controle da AIDS. Neste cenário, pacientes na fase aguda da doença passam a assumir uma importância ainda maior na transmissão e manutenção da epidemia, pois não existe uma política pública consistente para sua identificação e incorporação ao nosso sistema de saúde (SUS). Oportunidades de diagnóstico são perdidas, como em Centros de Testagem e Aconselhamento, uma vez que a testagem sorológica, baseada nos atuais testes rápidos de diagnóstico, não detectam a infecção durante a janela imunológica, nos primeiros dias de infecção. Diferentes estudos estimam que uma expressiva proporção das novas infecções decorra de indivíduos recém-infectados chegando, em alguns estudos a estimativas superiores a 50% das transmissões (Pilcher 2001, Powers 2011, Cohen 2011). A fase recente tem diferentes definições, mas em geral compreende o primeiro ano da infecção. Os indivíduos na fase aguda deixam estes estabelecimentos com a informação de não serem infectados pelo HIV, com a falsa percepção do seu potencial transmissor. Além disto, vários estudos apontam para um benefício direto para o paciente do tratamento precoce da doença (Ford 2018, Goulder & Deeks 2018, Ndhlovu 2019, Sharma 2019), no mesmo dia do diagnostico quando factível. Assim como, outro ponto a considerar é que o tratamento precoce pode favorecer futuras estratégias de cura. A política de tratamento imediato tem se demonstrado de difícil implementação no cenário atual do SUS, com períodos de espera, que podem chegar a meses para a primeira consulta e o início do tratamento após o diagnóstico. Embora o impacto desta demora possa ser menos importante para casos diagnosticados já na fase de latência crônica da infecção, casos de doença avançada, assim como os recentes poderiam ser triados e contar com uma política de priorização. O objetivo deste estudo é contribuir na melhor identificação da infecção incidente, aguda ou recente, convidando uma parte destes para participar de uma coorte de seguimento clínico. A avaliação de algoritmos clínico-epidemiológicos que permitam melhor indicar testes moleculares na suspeição da infecção na inicial da doença pode minimizar o uso inadequado destes testes, garantindo, porém o acesso para casos com indicação. Além do uso de tecnologias moleculares, como a carga viral, testes sorológicos de quarta geração podem permitir o diagnóstico precoce, sendo algoritmos de decisão de aplicabilidade no SUS úteis tanto na indicação de exames de confirmação diagnóstica assim como a priorização para o tratamento imediato. A avaliação das amostras de voluntários com o tempo de infecção bem caracterizado, utilizando testes laboratoriais que estimam o tempo de infecção, permitirá validar estes testes, com contribuindo para geração de estimativas de incidência nesta população, assim como aprimorar o algoritmo de triagem de identificação de casos em fase inicial de pelo HIV. Esta iniciativa permitirá ainda organizar uma coorte de pacientes identificados na fase aguda, com uma melhor caracterização destes casos incidentes, e avaliar a resposta ao tratamento, em especial a retenção e a supressão viral. O conhecimento gerado pela proposta pode (i) instrumentar medidas preventivas, (ii) favorecer o desenvolvimento de estratégias de incorporação e retenção de populações identificadas como mais vulneráveis, (iii) melhorar o entendimento desta fase da doença em nosso meio, (iv) contribuir no controle da epidemia e (v) informar o desenvolvimento de insumos inovadores. (AU)