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A ocupação humana do Sudeste da América do Sul ao longo do Holoceno: uma abordagem interdisciplinar, multiescalar e diacrônica

Processo: 19/18664-9
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Temático
Vigência: 01 de julho de 2020 - 30 de junho de 2025
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Arqueologia - Teoria e Método em Arqueologia
Pesquisador responsável:Astolfo Gomes de Mello Araujo
Beneficiário:Astolfo Gomes de Mello Araujo
Instituição-sede: Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo , SP, Brasil
Pesquisadores principais:Camilo de Mello Vasconcellos ; Francisco Sergio Bernardes Ladeira
Pesq. associados:Artur Chahud ; Bruce Arlan Bradley ; Cláudia Inês Parellada ; Erminio Fernandes ; Ethan Edwad Cochrane ; Fabio Parenti ; Francisco Silva Noelli ; Fresia Soledad Ricardi Torres Branco ; Gelvam André Hartmann ; Glauco Constantino Perez ; Jedson Francisco Cerezer ; João Carlos Moreno de Sousa ; Jonas Gregorio de Souza ; Julio Cesar Paisani ; Leandro Elias Canaan Mageste ; Marcelo Knorich Zuffo ; Maria Mercedes Martinez Okumura ; Marianne Sallum ; Marilia Perazzo Valadares do Amaral ; Otis Norman Crandell ; Robson Antonio Rodrigues ; Stephen Walter Silliman
Assunto(s):Holoceno  Arqueologia brasileira  Paleoíndios  Paleoambientes  Ceramistas  Interação cultural  Educação patrimonial 

Resumo

Este projeto visa, por um lado, dar continuidade às pesquisas desenvolvidas por nossa equipe desde 2010, por meio de três auxílios outorgados pela FAPESP, (procs. nos. 2009/54720-9, 2013/13794-5 e 2016/23584-6) e, por outro, ampliar o escopo das pesquisas abarcando outras faixas cronológicas e uma área geográfica maior. O objetivo geral dos projetos anteriores foi o de contribuir para o entendimento dos processos relacionados à ocupação do Sudeste brasileiro pelos primeiros grupos humanos que chegaram às Américas. O projeto ora apresentado expande o escopo dos projetos anteriores com vistas a fornecer um panorama organizado e diacrônico das ocupações humanas que se sucederam e conviveram no Sudeste da América do Sul, abrangendo os territórios dos atuais estados de São Paulo e Paraná, e abarcando todo o Holoceno. Tem como objetivo geral mapear as características culturais dos diferentes grupos humanos pretéritos, visando fornecer subsídios para o entendimento das relações desses grupos com os paleoambientes reinantes e com os grupos humanos vizinhos, permitindo a elaboração de modelos mais robustos a respeito de temas candentes como a ocupação do continente americano, a transição entre modos de vida baseados na caça e coleta para a horticultura, a persistência cultural de grupos caçadores-coletores após a chegada de grupos horticultores e, finalmente, a persistência cultural indígena na sociedade atual. Espera-se, com isso, estabelecer cenários de interação e mudança cultural ao longo dos últimos 12.000 anos para a região. Tais modelos deverão constituir uma base para debates e pesquisas futuras, atualmente restringidas pela paucidade de dados estruturados. O projeto se divide em quatro eixos de ação principais: 1) continuidade das prospecções e escavações arqueológicas explicitamente voltadas para a detecção de sítios relacionados ao Período Paleoíndio, com o estudo dos materiais arqueológicos e dos processos de formação atuantes em tais sítios, levando em conta as variações climáticas ocorridas nos últimos 12.000 anos e suas possíveis consequências em termos geomorfológicos e de paisagens.; 2) caracterização espacial, formal e tecnológica das diferentes indústrias líticas e estilos de arte rupestre que ocorrem no território de interesse, visando o estabelecimento de um quadro sincrônico e diacrônico dos grupos caçadores-coletores ao longo do Holoceno; 3) caracterização espacial, formal e tecnológica das diferentes indústrias cerâmicas que ocorrem no território de interesse, visando o estabelecimento de um quadro sincrônico e diacrônico dos grupos horticultores durante o Holoceno Final, incluindo suas relações com os grupos de caçadores-coletores que continuaram a ocupar partes do território; 4) análise das interações coloniais e pós-coloniais que se estabeleceram entre indígenas e europeus, com foco no Estado de São Paulo, a partir do estudo de sua cultura material, com a inserção dos grupos indígenas remanescentes nos diferentes aldeamentos em território paulista (especialmente Kaingang e Guarani) nesse quadro histórico profundo, abordando sua presença atual como parte de um processo contínuo e extremamente longo, de persistência e resistência cultural, com o objetivo de evitar a cisão entre domínios de discurso "arqueológico" por um lado, e "histórico" ou "antropológico" por outro, que resultam em abordagens muitas vezes estanques e pouco frutíferas.Enquanto o primeiro eixo dialoga fortemente com as Ciências da Terra e os estudos do Quaternário, aplicando uma abordagem integradora, levando em conta os processos de acumulação antrópica, geomorfogênese e indicadores paleoambientais, o segundo e terceiro eixos se remetem a métodos e procedimentos arqueológicos e arqueométricos. O quarto eixo, por sua vez, estabelece um diálogo mais profundo com as Humanidades, coroando uma abordagem eminentemente interdisciplinar. Este quarto eixo será desenvolvido também com base nos princípios de um Programa de Arqueologia Pública. (AU)