Resumo
O uso indiscriminado dos fármacos antibacterianos tem contribuído de forma decisiva para o surgimento de linhagens bacterianas resistentes e considerado hoje um problema de saúde pública generalizado. Normalmente as infecções causadas por estes resultam em estadias hospitalares prolongadas, visitas adicionais ao médico de acompanhamento e alternativas dispendiosas, e às vezes tóxicas, causando aumento na mortalidade e morbidade na população. As pesquisas visando novas opções terapêuticas que sejam eficazes e menos suscetíveis a resistência bacteriana como os compostos originários de plantas e os peptídeos antimicrobianos se mostram promissores. Estabelecer mecanismos antimicrobianos de um determinado produto é complexo em função das inúmeras possibilidades de atuação na constituição e no metabolismo bacteriano. Assim sendo, utilizaremos neste projeto inúmeras ferramentas para elucidar a atividade antimicrobiana de compostos naturais como, por exemplo, a microscopia eletrônica, análise da permeabilidade da membrana, liberação de enzimas resultante da lise celular e a análise proteômica. Desta forma, objetivamos avançar para os conhecimentos de ação antibacteriana de compostos naturais, sendo estes dois peptídeos antibacterianos (nisina, uma bacteriocina, e melitina, uma fração protéica de apitoxina de Apis mellifera) e extratos alcoólicos de própolis de Apis mellifera. Recentemente defendeu o seu mestrado uma orientada farmacêutica, sendo que iniciamos em nossa linha de pesquisa a elaboração de nanoemulsões e nanopartículas utilizando compostos antibacterianos naturais (óleo essencial de Cymbopogon martinii - palmarosa - e o seu composto majoritario geraniol), sobre a bactéria anaeróbia Propionibacterium acnes (atualmente Cutibacterium acnes) com resultados positivos e cujo artigo encontra-se em fase de redação para publicação. Além disto, pretendemos com uso de nanopartículas minimizar a citotoxicidade da melitina além de potencializar a ação de nisina sobre bactéria Gram-negativa. Quanto ao estudo da própolis, realizaremos ensaios sobre bactérias esporuladas, em especial sobre a bactéria Paenibacterium alvei, importante patógeno da abelha A. mellifera, visando também ampliar o uso da própolis como agente antimicrobiano. Resultados preliminares já mostraram a eficácia do extrato alcoólico da própolis sobre esta bactéria, além de também sobre MRSA (S. aures meticilina resistente) (AU)
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