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Revelando o legado de fósforo do solo para promover agricultura sustentável no Brasil

Resumo

A exploração de fósforo (P) nativo do solo e os grandes reservatórios de P residual acumulados ao longo de décadas de cultivo, ou seja, o "legacy P", têm um grande potencial para superar a alta demanda de fertilizantes de P nos sistemas de cultivo brasileiros. Experimentos de campo a longo prazo mostraram que uma grande proporção (> 70%) do excedente de P adicionado por fertilizantes permanece no solo, principalmente em formas não prontamente disponíveis para as culturas.Uma questão importante é se a quantidade de P residual mobilizado do solo é suficiente para a demanda nutricional da cultura e por quanto tempo esse P armazenado no solo pode ser efetivamente 'explorado' pelas lavouras de maneira lucrativa. Aqui mapeamos a distribuição espaço-temporal do legado P nos últimos 50 anos e discutimos possíveis práticas agrícolas que poderiam aumentar o uso desse legado do solo. As aplicações de fertilizantes minerais resultaram em ~ 33,4 Tg de P legado acumulado nos solos agrícolas de 1967 a 2016, com uma taxa de superávit anual atual de 1,6 Tg. Com essa mesma taxa, o legacy P do solo pode chegar a 106,5 Tg até 2050. As práticas de manejo agrícola para melhorar o uso do P residual do solo pelas culturas incluem o aumento do pH do solo por calagem, rotação de culturas, cultivo duplo, culturas de cobertura entre estações, sistema de cultivo e uso de fertilizantes modernos, além de variedades de culturas mais eficientes e inoculação com microrganismos solubilizantes de P. A adoção dessas práticas poderia aumentar a eficiência de uso de P, reduzindo substancialmente a nova entrada de fertilizantes e economizando até 31,8 Tg de uso de fertilizantes fosfatados (US$ 20,8 bilhões) nas próximas décadas, portanto, explorar o P residual do solo é imprescindível para reduzir a demanda por fertilizantes minerais e, ao mesmo tempo, promover a sustentabilidade de longo prazo do P no Brasil. (AU)