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Engajamentos coletivos nas fronteiras do capitalismo

Resumo

O livro "Engajamentos coletivos nas fronteiras do capitalismo" é fruto de um esforço de reflexão por pesquisadores do Laboratório de Experimentações Etnográficas (LE-E/UFSCar) de responder ao desafio colocado pela filósofa belga Isabelle Stengers (2015) a cientistas e pesquisadores: como a sua prática científica pode se articular num processo de criação com as experimentações daquelas e daqueles engajados em "criar uma vida que explora conexões com novas potências de agir, sentir, imaginar, pensar" (p. 15)? Dito de outro modo: como transformar a etnografia em um engajamento coletivo que se conecta ativamente com as experimentações em curso no mundo? Essas que, expressas em lutas sociais que defendem a multiplicidade e coexistência de modos de vida, reagem aos efeitos planetários do capitalismo, nomeados por Stengers como uma implacável e inevitável "intrusão de Gaia." Para as autoras e autor desta coletânea, tomar a experimentação etnográfica como um engajamento com outras experimentações em curso no mundo demandava respostas procedimentais, em geral tateantes e errantes, que se daria no nível de uma aliança técnico-política: a partir do que brota no encontro, a etnógrafa e o etnógrafo sintonizam a sua própria técnica com aquelas mobilizadas em experimentações nas "fronteiras do capitalismo", onde se veem o esbulho de terras e a destruição de modos de vida (Tsing, 2005). Como se verá nesta coletânea, alguns dos textos se engajam com as experimentações que resistem aos cercamentos e perturbações decorrentes do avanço de projetos desenvolvimentistas, como ocorre no norte de Moçambique e de Minas Gerais, nos campos de Roraima e nos rios do Xingu. Ainda outros fazem ver novas colaborações e alianças tecidas a partir da ocupação de "ruínas capitalistas" (Tsing, 2015), como ocorre no cerrado mineiro marcado pelo agronegócio, nas terras dos quilombolas no Vale do Ribeira por tanto tempo expropriadas e nas águas barradas do rio Iratapuru. Em todos os textos, o engajamento dos pesquisadores cria um "nós" que soma a tais lutas, fazendo saltar à vista a relação com a terra tal como vivida, lembrada, imaginada, sentida por aquelas e aqueles que remanescem porque compõem com outros seres, também eles praticantes com quem estabelecem obrigações recíprocas para um futuro comum. (AU)