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Carros globais: uma pesquisa urbana transnacional sobre a economia informal de veículos (Europa, África e América do Sul)

Processo: 20/07160-7
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Temático
Vigência: 01 de abril de 2021 - 31 de março de 2025
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Sociologia - Sociologia Urbana
Convênio/Acordo: ANR
Pesquisador responsável:Gabriel de Santis Feltran
Beneficiário:Gabriel de Santis Feltran
Pesq. responsável no exterior: Jacquot Sébastien
Instituição no exterior: Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, França
Instituição-sede: Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). São Paulo , SP, Brasil
Pesquisadores principais:Bianca Stella Pinheiro de Freire Medeiros ; Vera da Silva Telles
Pesq. associados:Carolina Christoph Grillo ; Corentin Cohen ; Daniel Veloso Hirata ; Denis Giordano ; Luana Dias Motta ; Marie Morelle ; Regis Bernard Minvielle
Assunto(s):Globalização  Economia global  Economia informal  Setor informal  Veículos  Mobilidade urbana  Espaço urbano 

Resumo

Os carros estão no centro das questões urbanas e ambientais em todo o mundo. Carros conectam economias globais, do mainstream às margens. A pesquisa social prestou pouca atenção a eles, até o momento. Nosso projeto parte da descrição de atividades informais, ilegais e criminais relacionadas às economias de carros em segunda mão (mecânica de rua, comércio e roubo de peças, roubo e tráfico de carros, revenda de veículos em segunda mão) entre a América Latina, a Europa e a África. Mais do que uma pesquisa comparativa internacional, nossa equipe deseja desenvolver uma pesquisa empírica multissituada, na interseção entre as escalas urbana e transnacional. Partimos do pressuposto de que as mobilidades transnacionais inscritas nas economias de carros usados revelam as reconfigurações do trabalho em um contexto pós-fordista, bem como os mecanismos de reprodução de desigualdades sociais, conflitos e violência. Também assumimos que o "regime do automóvel" integra bens e práticas legais, informais e criminais no mesmo mercado. A partir do estudo de práticas empíricas, propomos analisar as racionalidades sociopolíticas subjacentes a essas economias, seus efeitos concretos no espaço urbano, bem como as reconfigurações da ação pública em relação à informalidade. Nossa hipótese é a de que diferentes regimes normativos coexistentes (legibilidade do estado, estruturas criminais ou religiosas, lógicas informais de empresários etc.) governam as zonas cinzentas entre economias de automóveis legais e ilegais. Este projeto busca ir além de certas interpretações das economias informais e criminais nas cidades, tanto no Sul Global como no Norte Global. Economias globais, atividades informais e criminais relacionadas à economia automóvel não são consideradas em nosso projeto como parte do "submundo" das megacidades, mas como um componente importante das paisagens urbanas em todo o mundo. Embora se considere que essas economias sejam marginais, e tocadas por grupos populares, elas são parte muito relevante de cadeias de valor globalizadas. Para atingir seus objetivos, este projeto reúne diversas tradições e grupos de pesquisa, enraizados em diferentes contextos nacionais e sócio-políticos. Propomos etnografias multissituadas em São Paulo, Santos, Paris, Nápoles, Gênova, Dakar, Conacri, Abidjan e Benin City. Nosso material empírico será analisado para reconstruir cinco casos analíticos: i) a troca de carros roubados por cocaína na fronteira Brasil-Bolívia; ii) a exportação de cocaína para a África e Europa pelo porto de Santos; iii) o tráfico de carros e drogas entre São Paulo e a África Ocidental (Dakar); iv) as autopeças, veículos e migrações que circulam entre a Europa e a África Ocidental; v) a lavagem de dinheiro entre Nápoles e Benin City; vi) o tráfego de peças e veículos do hub da Abidjan. Cada caso empírico discute um ponto diferente em que veículos roubados ou peças fazem paradas: distritos urbanos periféricos pobres, concessionárias de carros, ferro-velho legal e ilegal, lojas de autopeças, delegacias de polícia e órgãos estaduais que regulam o tráfico de veículos, como bem como seguradoras, leilões de carros e áreas de fronteira nacional. A jornada de carros roubados, peças em segunda mão, mecânicos e pessoas e objetos relacionados revela conexões empíricas inesperadas entre estes territórios ricos e pobres, entre pessoas e instituições. A equipe conduzirá: a) biografias de indivíduos envolvidos na economia de carros em segunda mão, prestando atenção à sua mobilidade; b) uma análise das paisagens urbanas e suas transformações em relação a essa economia, c) observações e entrevistas para analisar o funcionamento de hubs e espaços pelos quais transitam partes e veículos, d) entrevistas com atores institucionais e associativos encarregados de regular a atividade (polícia, desenvolvimento local, ação social e migração, economia social e solidária, economia popular), e) coleta de material documental formal e informal online e em papel. (AU)