Resumo
Streptococcus agalactiae, ou estreptococo grupo B, é um patógeno humano mundialmente reconhecido pela mortalidade neonatal, bem como por infecções em gestantes e adultos debilitados com expressiva mortalidade. Equitativamente, é um patógeno relevante na saúde animal, sendo a mastite a principal fonte de perdas econômicas em rebanhos leiteiros de regiões sem estratégias de controle. As estratégias de prevenção das infecções por S. agalactiae vem sendo fundamentadas sobretudo na administração profilática de antimicrobianos e mais recentemente vacinas capsulares estão em investigação. O termo uma só saúde (One Health) representa a visão de esforços unificados nos domínios da saúde veterinária, humana e ambiental. Nesse contexto, a resistência bacteriana aos antimicrobianos é um severo risco à saúde humana e animal, e é um dos poucos processos de evolução que podem ser observados em tempo real. A origem de elementos genéticos presentes em patógenos humanos e animais pode ser de fato rastreada até microrganismos ambientais. Logo, zoonoses e zoonoses reversas ganham destaque no sentido de determinar a emergência e disseminação de mecanismos de resistência, virulência e sorotipos capsulares interespécies. O presente projeto tem por objetivo caracterizar cepas da microbiota humana e animal (bovinos e caprinos) no Estado da Paraíba, investigando a presença de elementos genéticos para determinação de relações interespécies e potencial impacto dessas, nas estratégias de prevenção. Isolados bacterianos serão obtidos da rotina do Hospital Universitário Lauro Wanderley em João Pessoa/PB e da análise do leite oriundo de propriedades rurais do cariri, agreste e zona da mata paraibanos. Serão coletados dados de prontuários médicos e aplicados questionários aos responsáveis pelas propriedades rurais. Os isolados bacterianos serão identificados ao nível de espécie por testes fenotípicos e genotípicos, além de serem comparados molecularmente por PFGE. A suscetibilidade aos antimicrobianos será determinada por testes fenotípicos e, para as amostras de perfil de resistência elevado, será feita pesquisa de genes de resistência para beta-lactâmicos, lincosamidas e macrolídeos. Vinte isolados serão selecionados para que possamos sequenciar o genoma completo. Com isso poderemos determinar os tipos de sequências por MLST e verificar o papel de elementos genéticos móveis na disseminação de genes de resistência e virulência no genoma. Realçamos que os conhecimentos a respeito desse patógeno, sobretudo em uma região peculiar como interior da Paraíba, são extremamente escassos e a distribuição de sorotipos capsulares e determinantes de resistência/virulência sofrem alterações regionais, não sendo adequado extrapolar dados de outras regiões. Em razão da iminente introdução das vacinas para S. agalactiae, também vivenciamos um período único para obtenção de dados que irão embasar a incorporação dessa no Sistema de Saúde e investigar possíveis mecanismos adaptativos do patógeno. (AU)
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