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APP para fortalecimento da comunicação entre médicos e pacientes oncológicos

Resumo

Segundo OMS, a prevalência de neoplasmas malignos é crescente em países em desenvolvimento, devido ao envelhecimento e estilo de vida da população. O atendimento depende de tratamentos multimodais associando cirurgias, radioterapia e quimioterapia, com efeitos adversos para os pacientes e custos elevados para o sistema de saúde. O tratamento de câncer visa curar o paciente se possível, aumentar a sobrevida e melhorar sua qualidade de vida. Neste processo, os sintomas se somam: aqueles relacionados ao diagnóstico e os derivados do tratamento. Isso, torna o suporte clínico integral essencial. Embora observe-se melhora da sobrevida específica por câncer nos últimos anos, surgem demandas relacionadas à morbidade gerada pelo tratamento e a necessidade de ganhos na funcionalidade dos pacientes. São os desafios do chamado survivorship: a vida depois do diagnóstico, tratamento e pós-tratamento do câncer (KARSTEN et al., 2018). Uma boa comunicação entre cuidadores e pacientes é crítica. Existem evidências de que tecnologias melhoram a comunicação entre médicos e pacientes, reduzem a utilização da emergência e aumentam a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes (BASCH et al., 2017). Dar voz aos pacientes, ouvir suas queixas relativas ao diagnóstico e aos tratamentos tóxicos têm valor. São os chamados Patient-Reported Outcomes (PROs), estratégia clínica cada vez mais reconhecida (DOBROZSI; PANEPINTO, 2015). De fato, a literatura indica que ferramentas baseadas nos PROs aumentam a previsibilidade da busca pela emergência (SUTRADHAR; ROSTAMI; BARBERA, 2019) e estima-se que de 40 a 60% das idas à emergência possam ser evitadas, com economias de até 50% dos gastos com este serviço (PANATTONI et al., 2018). Nas unidades de saúde brasileiras, raramente existem protocolos formais de comunicação entre profissionais de saúde e pacientes oncológicos. Os médicos se veem assoberbados por demandas feitas por telefone ou WhatsApp, com variações importantes nos padrões de resposta e induzindo decisões relativamente imprecisas, pois o profissional pode não ter a mão os elementos para uma resposta assertiva. Nos serviços onde a comunicação não é facilitada (ex. hospitais públicos), os pacientes encontram grandes dificuldades em obterem respostas rápidas relacionadas às intercorrências de maior gravidade. Neste sentido, a hipótese deste projeto é que um aplicativo voltado para melhorar a comunicação entre profissionais de saúde e pacientes oncológicos pode ter significativo impacto para a evolução clínica dos pacientes e melhor organização do sistema de saúde, reduzindo os custos operacionais e o estresse dos profissionais envolvidos. A expectativa de mercado é que essa solução será adotada por hospitais e planos de saúde, em função do seu impacto econômico e efeitos para a qualidade de vida dos pacientes. A proposta de valor para os profissionais de saúde é também essencial, pois eles serão os "embaixadores" da solução, estimulando os pacientes a adotá-la. O projeto vem sendo gestado desde 2019 e a expectativa é contar com uma versão piloto no final de 2020. (AU)

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