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Anosmia súbita: estudo comparativo da intensidade e evolução em pacientes com infecção aguda pelo SARS-Cov2 e outros vírus respiratórios

Resumo

O olfato representa um importante sentido que permite ao ser humano compreender e interagir com o meio ambiente. Cerca de um terço das perdas súbitas de olfato tem como causa subjacente uma infecção viral aguda de vias aéreas superiores (IVAS), normalmente decorrente de problemas de condução de moléculas odoríferas até a fossa olfatória, com reversão completa na maioria dos casos. Dentre as manifestações clínicas que têm chamado à atenção durante a infecção causada pela SARS-CoV-2 (COVID-19) estão as alterações olfatórias e gustativas. Segundo as primeiras descrições, as alterações de olfato têm se mostrado mais intensas e de aparecimento precoce, geralmente não acompanhados de rinorreia ou obstrução nasal, sugerindo disfunção predominante do neuroepitélio e não de origem obstrutiva da fenda olfatória. Outro fato relevante é que muitos pacientes com COVID-19 têm se manifestado inicialmente apenas com alterações olfatórias, antes mesmo de se queixar de outros sintomas de maior suspeição, como febre, odinofagia, tosse ou dispneia. Por fim, o prognóstico de recuperação do olfato ainda não é totalmente conhecido em pacientes acometidos pela COVID-19. Diante de uma doença emergente, de alta transmissibilidade e de grande repercussão para o sistema da saúde e economia em dimensões globais, ainda é pouco conhecida a história natural da COVID-19, particularmente quanto às alterações de olfato. Neste estudo multicêntrico envolvendo diversas cidades brasileiras, nos proporemos a avaliar de modo prospectivo a evolução da olfação (mensurada através de teste quantitativo e qualitativo do olfato - teste CCRC modificado) assim como a positividade de um painel de vírus respiratórios na nasofaringe detectados por PCR, incluindo o SARS-CoV-2) em indivíduos com anosmia súbita. Além disso, os pacientes que mantiverem a queixa de anosmia após 60 dias serão investigados com nasofibroscopia, coleta das células na região olfatória (cytobrush) e ressonância magnética. Os resultados desse estudo poderão mostrar a prevalência de SARS-CoV-2 nos casos de anosmia súbita, identificar o valor preditivo positivo da anosmia como marcador de COVID-19, assim como entender a história natural da anosmia nos casos de COVID-19 em relação a outros quadros virais. Esperamos que as conclusões desse estudo possam auxiliar nas medidas de prevenção e disseminação da doença, assim como orientar aos pacientes quanto ao prognóstico em relação ao comportamento natural da doença. (AU)